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Robô reúne mais provas da existência de antigo lago em Marte

Especialistas acreditam que o planeta vermelho teve um clima mais frio que permitiu que houvesse sistemas de água e lagos durante um longo período de tempo

8 dez 2014
19h54
atualizado às 20h23
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Os dados recolhidos pelo robô explorador Curiosity revelam que o monte Sharp, formado dentro da cratera Gale, poderia ter sido formado pelos sedimentos depositados no leito de um lago há milhões de anos, informou a Nasa nesta segunda-feira.

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Ilustração feita pela Nasa mostra a cratera Gale, que teria supostamente abrigado um lago formado há bilhões de anos 
Foto: Nasa / Reuters

Membros da equipe de pesquisas do Curiosity assinalaram em entrevista coletiva que estas descobertas sugerem que Marte teve um clima mais frio que permitiu que houvesse sistemas de água e lagos durante um longo período de tempo.

Esse tempo foi "suficiente para que os sedimentos formassem o monte", indicou Michael Meyer, diretor científico do programa da Nasa de exploração a Marte.

Meyer assinalou que para os pesquisadores é um desafio decifrar como se formou esta montanha de cinco quilômetros de altura, composta por camadas de rochas, que poderiam ter sido constituídas com sedimentos de rio e partículas depositadas pelo vento.

"As observações que fizemos até agora apoiam essa hipótese", indicou John Grotzinger, do Instituto Tecnológico da Califórnia em Pasadena (EUA), que assinalou que esperam poder comprová-la mais detalhadamente no ano que vem.

O Curiosity está investigando as camadas de sedimentos mais baixas da montanha, uma seção de rochas de 150 metros na chamada formação Murray, que podem ser sedimentos sobrepostos transportados por rios e moldados pelo vento depois da evaporação da água.

A outra pergunta a ser respondida é se essa água existiu tempo suficiente para que surgisse vida microbiana.

Em descobertas anteriores, o Curiosity detectou elementos como enxofre, nitrogênio, hidrogênio, oxigênio, fósforo e carbono, alguns dos ingredientes químicos essenciais para a vida.

"Marte atualmente é um planeta seco, árido e com ventos, mas em algum momento foi um planeta formado por água", comentou Ashwin Vasavada cientista do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa na Califórnia, ao destacar que se sua hipótese for mantida, "desafia a noção de que as condições cálidas e úmidas foram transitórias, locais ou só subterrâneas em Marte".

O envolvimento do clima é um elemento chave neste processo, de acordo com esse especialista.

A atmosfera teria que ser mais grossa para que as temperaturas fossem mais elevadas e permitissem que a água se mantivesse em forma líquida, "mas, por enquanto, não sabemos como foi possível".

Os cientistas devem levar o Curiosity a áreas mais elevadas da montanha para realizar novos experimentos que os ajudem a determinar como a atmosfera e a água interagiram com esses sedimentos e a analisar como a química nos lagos mudou ao longo do tempo.

O veículo explorador partiu em 26 de novembro de 2011 em um foguete Atlas do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, e desceu em 6 de agosto de 2012 na cratera Gale com a missão de investigar se em Marte existiram condições para abrigar vida.

Nos primeiros 12 meses, o robô descobriu um antigo leito de curso de água e recolheu amostras de solo e de atmosfera suficientes para que os cientistas concluíssem que pode ter havido vida ali há bilhões de anos.

Em julho de 2013, o Curiosity concluiu sua pesquisa na área conhecida como Bahia de Yellowknife e viajou rumo ao sudoeste da base do monte Sharp, aonde chegou em setembro de 2014.

O Curiosity tem o tamanho de um carrinho de golfe e é cinco vezes mais pesado que seus antecessores, os robôs Spirit e Opportunity, lançados em 2003.

Trata-se também do robô mais bem equipado, com dez instrumentos de tecnologia de ponta, como o instrumento de difração de raios X (CheMin), que analisa quimicamente os minerais recolhidos pelo Curiosity com seu braço robótico, ou a estação ambiental REMS, projetada e construída na Espanha.

EFE   

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