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Descoberta de planetas é "emocionante" e não será única, dizem especialistas

23 fev 2017
15h57
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A descoberta de um sistema com sete planetas similares ao nosso é "verdadeiramente emocionante e muito relevante" e representa um passo adiante na busca de vida além da Terra, segundo astrofísicos consultados pela Agência Efe, que apontam que pouco a pouco haverá novas descobertas e mais próximas de nós.

Ontem a revista "Nature" publicou um artigo no qual descrevia o sistema, a 40 anos luz de distância da Terra e com sete planetas de massa similar ao nosso, sendo que três se encontram em área habitável - na qual existe um planeta que poderia abrigar água líquida.

Os sete corpos giram em órbitas planas e ordenadas ao redor de TRAPPIST-1, uma estrela anã ultra fria.

O pesquisador do Centro de Astrobiologia (centro misto do Centro Superior de Pesquisas Científicas e do Instituto Nacional de Técnica Aeroespacial) David Barrado opina que esta descoberta é "verdadeiramente emocionante".

"No século XV os marinheiros espanhóis e portugueses se viram descobrindo ilhas no Atlântico. De repente Colombo encontrou um novo mundo e agora foram localizados sete, dando o mesmo salto qualitativo".

Segundo Barrado, "as estrelas frias são as mais numerosas e a confirmação de que podem ter sistemas planetários complexos faz saltar o número de planetas que existem na galáxia. Não sabemos se há vida, mas este descobrimento nos aproxima da resposta".

Para Guillem Anglada-Escudé, da Universidade Queen Mary de Londres, e um dos descobridores no ano passado de Proxima b, um planeta também parecido com a Terra que orbita a estrela Proxima Centauri, a nova descoberta é "muito relevante".

O investigador suspeita que haverá outro sistema ainda mais próximo à Terra, embora seja difícil conter tantos planetas.

O estudo dos sete planetas permitirá fazer a espectroscopia de suas atmosferas: "primeiro é preciso descobrir se eles têm atmosfera, o que é condição necessária para detectar possível vida", lembra este Escudé, reconhecido pela "Nature" como um dos que mãos se descatou em 2016 por suas pesquisas sobre Proxima.

Por sua vez, o diretor do Instituto de Astrofísica de Canárias, Rafael Rebolo, ressalta que a Terra continua sendo um caso "excepcional" no universo enquanto não for comprovado que existe vida fora dela, mas que descobertas como o dos sete planetas corroboram que há cada vez mais lugares onde a vida teve a oportunidade de se desenvolver.

Jesús Martínez Frías, pesquisador do Instituto de Geociências (Universidade Complutense de Madri-CSIC), afirma em artigo distribuído por esta universidade que a descoberta dos sete exoplanetas "abriu todas as portas à imaginação e à especulação sobre a possível existência de vida".

Frías admite que "somos os primeiros a desejar encontrar vida fora da Terra", lembra que o universo é imenso e assegura que "seria absurdo pensar que estamos sozinhos, mas é certo que não temos nenhuma evidência de existência de vida em nenhum outro lugar; pelo menos até o momento".

O cientista lembra que habitabilidade e vida não são o mesmo: "a habitabilidade é o que faz com que um planeta tenha as características para ser habitável, em seu conceito mais amplo, desde os microorganismos extremófilos mais singulares e incomuns até seres parecidos a nós ou, talvez, até mais complexos. Não sabemos ainda".

"Um planeta ter características de habitabilidade não significa que por isso vá existir vida. Aqui na Terra sabemos que a habitabilidade e a vida estão relacionadas com a presença de água líquida e a química do carbono e provavelmente em outros lugares seja igual. Até o momento, as únicas diretrizes para a busca de vida são estas: o carbono e a água".

EFE   

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