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De volta aos holofotes, Lua recebe missões chinesa e americana

27 dez 2013
12h15 atualizado às 12h15
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A Lua voltou a ser um destino requisitado - e não apenas turístico, em planos ousados para o futuro. No dia 14, a sonda chinesa Chang'e 3 foi a primeira a realizar um pouso “suave” no satélite natural da Terra em 37 anos. A missão faz companhia à Ladee (Lunar Atmosphere and Dust Environment Explorer), da Nasa, que estuda a atmosfera da rocha desde o fim de novembro. Mas, 65 anos depois de o primeiro objeto terrestre alcançar a superfície lunar, o que falta descobrir sobre ela?

De acordo com Rui Barbosa, editor do Boletim Em Órbita, publicação sobre astronáutica, ainda há muito a ser estudado. “A cada segredo que é desvendado, muitos outros surgem no nosso horizonte, e muitos desses mistérios podem nos ajudar a compreender não só a dinâmica e a forma como a Lua se formou, mas também a forma como o nosso planeta e todo o Sistema Solar evoluiu”, afirma.

As duas missões, a chinesa e a americana, têm objetivos bem diferentes. A Chang'e 3, cujos detalhes não foram revelados em sua plenitude, possui um viés mais político, já que se trata de mais um marco na história da exploração espacial chinesa: um pouso na Lua. “Mas, de qualquer forma, a ciência sempre acaba se beneficiando dessa ‘corrida espacial’”, aponta João Batista Garcia Canalle, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro com pós-doutorado em astronomia pela University College London, da Inglaterra. 

Já a Ladee, lançada em setembro e em órbita desde novembro, vislumbra um horizonte plenamente científico: “Determinar a densidade da tênue exosfera lunar, bem como sua composição e variabilidade temporal, antes que ela seja perturbada por atividades humanas naquele corpo celeste. E também determinar se uma certa difusa emissão observada pelos astronautas das Apollos, a dezenas de quilômetros acima da superfície, era um brilho de sódio ou poeira”, segundo Canalle.

Essa “poeira” foi avistada ainda no início da década de 1970, pelos astronautas das missões Apollo, os primeiros e últimos (humanos) a pisar na superfície lunar. Com cortes no orçamento da Nasa, os Estados Unidos não enviarão no futuro próximo missões tripuladas à Lua. Até hoje, apenas 12 homens desembarcaram por lá, no restrito período entre 1969 e 1972. 

A vez da China
Mais de 40 anos depois, os chineses se credenciam para ocupar o espaço. A sonda Chang’e 3 sucede as Chang’e 1 e 2, que orbitaram o satélite natural. Caso tenha sucesso, a Chang’e 3 realizará o primeiro pouso “suave” desde a missão soviética Luna 24, em 1976. Depois dela, em 2015, está programa a quarta missão chinesa à Lua, que também levará uma sonda à superfície. A quinta missão, prevista para 2017, prevê a extração de material lunar e seu transporte para a Terra.

O passo seguinte, então, seria a missão tripulada. No cronograma chinês, a empreitada pode ocorrer entre 2025 e 2030. A menos que surjam concorrentes no meio do caminho, é provável que somente então, mais de cinco décadas depois da Apollo 17, o ser humano retorne ao seu satélite natural.

Barbosa cogita ainda, para um futuro de médio prazo, a abertura da exploração dos recursos naturais da Lua para empresas privadas. “Mais cedo ou mais tarde, vai levar a uma verdadeira corrida a esses recursos naturais”, acredita.

Importância
Para o Dr. Canalle, voltar à Lua é importante - de preferência, com a união de diversas nações em prol desse objetivo, como na Estação Espacial Internacional. “Acredito que o mundo precisa ver que nossas fronteiras geográficas e científicas precisam ser expandidas, assim como fizeram Colombo e outros”, afirma. “Apenas que agora nossas caravelas viajam pelo espaço, e não mais sobre os oceanos. Nosso instinto aventureiro e curioso continua a nos levar para o espaço, com a vantagem de que esta viagem não mais, talvez, será feita por uma nação, mas  por várias juntas”.

Daqui a alguns anos, muitas gerações terão nascido depois dos pousos lunares. “Algumas pessoas nem mesmo acreditam que o homem um dia esteve lá, o que é um absurdo”, diz. Segundo o professor, um retorno à Lua despertaria muitos jovens para as ciências aeroespaciais e reforçaria políticas de países que investem no domínio de tecnologias espaciais. “Ou seja, não há dúvida de que novos pousos lunares tripulados seriam fenômenos extraordinários”.

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