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Desmatamento encurrala últimos elefantes selvagens do Vietnã

9 mar 2017
06h01
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Encurralados pelo desmatamento e pelo conflito com o homem, apenas 80 elefantes selvagens sobrevivem no Vietnã e correm o risco de extinguir-se nos próximos anos se não forem tomadas medidas para conservar seu habitat.

"No Vietnã havia pelo menos 500 elefantes selvagens em 1980 e agora calculamos que restam 80 divididos em sete manadas, além de outros 44 exemplares domesticados que são dedicados, sobretudo, para o turismo", declarou à Agência Efe Pham Van Thinh, veterinário do centro de conservação de elefantes da província de Dak Lak.

A maior ameaça é o desmatamento, o retrocesso da floresta por culpa da poda ilegal e do avanço dos lucrativos campos de café (o Vietnã é o segundo exportador mundial, atrás apenas do Brasil).

"São animais que precisam de muito espaço para viver e cada vez têm menos. Isso também significa que dispõem de menos comida", destacou Thinh.

Embora no passado a caça ilegal fosse habitual, o endurecimento das leis nos últimos 25 anos reduziu este problema.

No entanto, muitos aldeões seguem colocando armadilhas, não porque cobicem o marfim das presas (só o macho as desenvolvem no caso dos elefantes asiáticos), mas para evitar que se aproximem de suas casas e destrocem seus cultivos.

Segundo estatísticas do governo, entre 2009 e 2015 morreram 23 paquidermes por ações do homem em todo o país.

Thinh admite que existe um conflito com o homem, mas o atribui à falta de espaço vital dos animais, que correm mais riscos e se tornam mais agressivos na busca por comida. "É um problema difícil de resolver", reconheceu.

O centro de conservação de Dak Lak, iniciado em 2013 com apoio institucional e da organização Animals Asia, é uma das últimas tentativas para tentar salvar a espécie.

Fechado ao turismo, seu objetivo é conservar os últimos elefantes do Vietnã e contribuir para terminar com sua exploração. No futuro preveem aumentar a população em cativeiro com um programa de acasalamento.

A estrela do centro é Gold, um macho de pouco mais de um ano que foi resgatado em março do ano passado após ficar preso em um poço natural de cinco metros de profundidade.

O bebê elefante de 220 quilos (pesava 80 quando foi resgatado) brinca com os visitantes e corre com energia assim que se abrem as portas de seu cercado, mas não poderá voltar à vida selvagem: sua mãe o rejeitou quando tentaram reintroduzi-lo, seguramente por seu contato com humanos.

Desde que Gold chegou tem a companhia de Jun, outro jovem macho de seis anos que foi recuperado após cair em uma armadilha que lhe deixou ferimentos em uma pata e na tromba.

"Embora tenhamos lhes ensinado a buscar sua comida, Gold e Jun estão acostumados demais com nossos cuidados e terão que ficar conosco toda a vida", ressaltou Thinh.

Gold, que ainda luze uma chamativa crista de pelo que cairá com a idade, é um dos poucos bebês elefante no país, onde a baixa natalidade também ameaça a sobrevivência da espécie.

"Nas seis ou sete manadas que temos controladas há exemplares de todas as idades, inclusive filhotes. O problema é que na estação seca correm muitos riscos para buscar água e achamos que alguns caem em poços, como ocorreu com Gold, e ninguém pode resgatá-los", disse Thinh.

Se na vida selvagem escasseiam os filhotes, em cativeiro a natalidade é praticamente inexistente, pois os donos dos elefantes não podem permitir que uma fêmea deixe de passear com turistas para acasalar e cuidar de seu filhote.

O projeto de promover o acasalamento no centro, seguindo o modelo de algumas organizações da Tailândia, poderia aliviar a situação, mas os especialistas alertam que o tempo pressiona e os elefantes poderiam sofrer no Vietnã o mesmo destino que os rinocerontes, extintos em 2010.

EFE   

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