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Cientistas descobrem que larva de mosca emite gases do efeito estufa

14 mar 2017
09h58
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A larva de um tipo de mosca que vive em lagos é responsável pela emissão de quantidades significativas de metano e pelo aumento dos gases do efeito estufa, segundo revela um estudo publicado nesta terça-feira pela "Scientific Reports".

A pesquisa, liderada pela Universidade de Genebra (Suíça) determinou que a atividade da larva de Chaoborus sp tem um impacto negativo sobre a atmosfera e é, em parte, responsável pela mudança climática provocada por esses tipos de gases.

Este inseto vive em lagos de todo o mundo, exceto na Antártida, e entre um ou dois anos de seu ciclo vital são sob a água em estado larval a profundezas inferiores a 70 metros, explicam os autores.

Durante o dia, a larva de Chaoborus sp se protege dos predadores se escondendo no leito do lago e durante a noite sai à superfície para se alimentar.

Ela está equipada com vesículas ou "bolsas de ar" que regulam seu volume para alterar a profundidade e se deslocar para frente ou para cima.

Os cientistas da Universidade de Genebra, em parceria com o Instituto Leibniz (Alemanha), a Universidade de Potsdam (Alemanha) e a Universidade de Swansea (R. Unido), descobriram que esta larva usa o gás metano (CH4) que encontra nos leitos como combustível para essas vesículas.

Os estudiosos constaram que o inseto libera gás metano na superfície de água, o que não só contribui negativamente ao aquecimento global, mas também modifica as camadas sedimentares do fundo do lago e dificulta a tarefa da paleolimnologia.

A profundezas de 70 metros a larva não pode inflar e desinflar normalmente suas "bolsas de ar" devido à pressão de água, por isso que recorre ao metano para ativar este engenhoso mecanismo de flutuação.

"O metano é um gás muito pouco solúvel em água. Sabemos que está presente em quantidades muito grandes em sedimentos pobres em oxigênio e que excede a capacidade de solubilidade em água e que forma pequenas borbulhas", explica o responsável do estudo, Daniel McGinnis, da Universidade de Genebra.

Em consequência, aponta, existe a hipótese de a larva absorver o excesso de borbulhas gasosas para inflar suas vesículas, ao invés de usar a pressão de água, e chegar até a superfície.

Graças a este "elevador inflável", a Chaoborus sp economiza até 80% de energia que necessitaria para subir à superfície do lago, reduz sua ingestão de alimento e consegue expandir seu habitat.

A água doce é responsável por 20% das emissões naturais de gás metano, o que absorve até 28 vezes mais calor do que o dióxido de carbono (CO2) e, portanto, tem um impacto significativo sobre o efeito estufa, assinalam os especialistas.

Em condições normais, apontam, o metano se isola e é depositado nos sedimentos dos lagos, mas a larva de Chaoborus sp o tira de sua zona habitual e aumenta as possibilidades que acabe na atmosfera.

"A larva de Chaoborus sp, cuja densidade varia desde os 2 mil aos 130 mil indivíduos por metro quadrado, só é encontrada em águas de baixa qualidade, nas quais contêm, por exemplo, muitos nutrientes", indica McGinnis.

O especialista sustenta que a melhora da qualidade das águas, o controle da agricultura e o tratamento de resíduos pode retificar a qualidade de água dos lagos e reverter a situação, pois este inseto "também transporta poluentes à superfície nas partículas sedimentares".

"Em resumo, embora o estudo deste inseto seja fascinante, a presença de Chaoborus sp é sempre uma má notícia para o ecossistema. Ao mesmo tempo, nos dá mais motivos para proteger a boa qualidade de água de nossos lagos", conclui McGinnis.

EFE   

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