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Em Genebra, Dilma nega ter recebido propinas em campanha

11 mar 2017
15h14
atualizado em 12/3/2017 às 12h11
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A ex-presidente Dilma Rousseff negou neste sábado, de forma categórica, ter recebido propinas da Odebrecht ou qualquer outra empresa em suas campanhas presidenciais.

"Nunca pedi propinas, nunca recebi propinas, e, de fato, nunca falei com todos aqueles que agora estão sendo investigados ou presos por terem pago propinas", afirmou Dilma em entrevista em Genebra.

A ex-presidente, que sofreu impeachment em agosto do ano passado, ressaltou que o financiamento da campanha de 2014 foi integralmente declarado e que o valor é conhecido publicamente, R$ 350 milhões.

Durante meses, diretores de importantes empresas brasileiras, especialmente da Odebrecht, confessaram ter pagado propinas de mais de R$ 100 milhões para financiar a campanha da ex-presidente.

Dilma questionou as denúncias dos executivos da Odebrecht e considerou que eles estão se beneficiando do sistema de delações premiadas, o que faz o processo se tornar viciado e duvidoso.

"Eu sou uma pessoa que precisa ver as provas. Se alguém acusa outra pessoa de algo, é preciso estar baseado em provas e não em declarações", afirmou a petista, que revelou que não irá se candidatar a nenhum cargo no futuro.

"Eu fiz política dos 15 aos 60 anos sem ocupar nenhum cargo eleito. Sempre fui militante e seguirei sendo no futuro", completou.

No entanto, Dilma pediu apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que quer ser candidato nas eleições de 2018.

"Apesar de tudo que fizeram contra ele, ele é o primeiro nas pesquisas. É fundamental que Lula seja candidato. É necessário recuperar a democracia nesse país", indicou Dilma.

A ex-presidente participou hoje do Fórum Internacional sobre Direitos Humanos de Genebra, onde fez discurso sobre os programas sociais e a redução da pobreza nos anos em que ela foi ministra dos dois governos de Lula e durante seu período na presidência.

O discurso foi encerrado com gritos de "Fora Temer".

Durante o discurso, a ex-presidente explicou como a miséria reduziu durante os anos do governo do PT e ressaltou que 36 milhões de pessoas saíram da situação de extrema pobreza no país.

Além disso, ressaltou que foram criados 20 milhões de empregos e que se ampliou de forma muito considerável o acesso sanitário para pessoas menos favorecidas. Segundo Dilma, tudo isso corre risco de ser revertido quando Temer assumiu o poder.

"Hoje, tudo isso que acabo de explicar está em risco, porque o governo ilegítimo que me substituiu está acabando com os benefícios para os mais pobres", afirmou a ex-presidente.

O empresário Marcelo Odebrecht e a ex-presidente Dilma Rousseff
O empresário Marcelo Odebrecht e a ex-presidente Dilma Rousseff
Foto: Rodrigo Félix Leal/Futura Press e Getty Images

EFE   

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