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Dilma conversa com Boeing sobre novo avião presidencial

19 jul 2012
17h55 atualizado às 18h18
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A presidente Dilma Rousseff está em conversas com a Boeing para adquirir um novo avião presidencial, disseram quatro fontes à Reuters. A negociação sinalizaria uma entrada maior para a fabricante norte-americana em um dos mercados mais emergentes do mundo.

Aeronave oferecida seria semelhante ao Air Force One, usado pelo presidente americano Barack Obama
Aeronave oferecida seria semelhante ao Air Force One, usado pelo presidente americano Barack Obama
Foto: AFP

Sob condição de anonimato, as fontes disseram que Dilma quer um avião maior, mais consistente com o crescente poderio político e econômico do Brasil. Ela está avaliando a compra de um Boeing 747 similar ao Air Force One, aeronave usada pelo presidente dos Estados Unidos.

Atualmente, Dilma usa um Airbus A319, que foi comprado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2004. No entanto, segundo as fontes, a aeronave é incapaz de realizar longos percursos e teve de realizar duas paradas para abastecimento durante a viagem da presidente à Índia, em março.

"Presidentes brasileiros irão viajar à Índia e à China uma vez por ano todos os anos a partir de agora e não devemos ter que fazer paradas como esta", disse uma das fontes.

A opção pela Boeing seria a única que está sendo seriamente analisada por Dilma, informou outra fonte. Se a compra for realizada, será uma vitória simbólica nos esforços da Boeing de ganhar mercado na maior economia da América Latina e a sexta do mundo. A questão ganhou urgência, já que os tradicionais mercados da companhia nos Estados Unidos e na Europa apresentam baixas previsões de crescimento.

Relações próximas
A Boeing anunciou um acordo neste mês para fornecer um novo sistema de armas para o avião de combate leve Super Tucano, fabricado pela Embraer, que está tentando expandir suas operações na área da defesa. As companhias também anunciaram em junho que iriam colaborar no desenvolvimento e marketing do jato militar e de reabastecimento KC-390, também da Embraer.

É possível que um relacionamento mais próximo com o governo brasileiro e a maior fabricante de aeronaves do País possa dar à Boeing uma vantagem em outro negócio muito maior, de ao menos U$ 5 bilhões: a nova geração de caças da Força Aérea Brasileira.

A francesa Dassault e a sueca Saab são as outras duas concorrentes para o negócio. Dilma não deve tomar nenhuma decisão até o início de 2013, disseram autoridades. "Nós não comentamos na mídia as discussões que podemos ou não ter com clientes potenciais", colocou Jim Proulx, porta-voz da Boeing, por e-mail.

O Boeing 747 tem quatro turbinas ante duas na maioria dos modelos mais novos. Pode, portanto, oferecer maior segurança em caso de um problema em motor em pleno voo - uma prioridade para Dilma após problemas de segurança recentes com seu avião atual, disseram as fontes.

Em junho, o Airbus presidencial sofreu um problema relacionado à pressurização da cabine durante viagem entre Rio de Janeiro e Brasília. Apesar de não ter deixado feridos, o avião teve de retornar ao Rio e Dilma foi forçada a voar a bordo de uma aeronave reserva menor, desembarcando em casa depois da meia-noite.

O jornal O Globo informou no sábado que Dilma "morre de medo" de turbulência e instruiu seus pilotos algumas vezes a alterar o plano de voo para desviar de tempestades ou outros problemas.

Mas, outra compra de um grande avião presidencial, apenas oito anos após a última aquisição, poderá causar disputas políticas. O ex-presidente Lula enfrentou grandes críticas por gastos excessivos ao comprar o Airbus por alegados U$ 57 milhões.

No entanto, as ambições políticas e econômicas cresceram desde então. O Produto Interno Bruto brasileiro superou o da Grã-Bretanha em 2011, e sua influência cresceu em fóruns internacionais e em outros mercados emergentes, especialmente em países africanos.

Até mesmo uma viagem recente à Etiópia precisou de uma parada de abastecimento no oeste africano, disse uma das autoridades. O Airbus A319 tem uma autonomia de 3.740 milhas náuticas, segundo o site da companhia na internet. A distância de voo entre São Paulo e Nova Délhi é de aproximadamente 7,8 mil milhas náuticas. A Airbus pertence ao grupo europeu EADS.

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