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Empresa que comprou casa de Perillo deu procuração a Andressa

29 ago 2012
20h25
atualizado às 22h56
Mirelle Irene
Direto de Goiânia

Andressa Mendonça, mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira, recebeu uma procuração da empresa que comprou a casa do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), no mês seguinte à transação. A informação foi confirmada por uma fonte da Polícia Federal. Perillo vendeu a casa para a Mestra Administração e Participações, administrada pelo empresário Walter Paulo Santiago, por R$ 1,4 milhão, em julho de 2011.

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Segundo a fonte, que pediu para não ser identificada porque o processo corre em segredo de Justiça, o documento consta no inquérito com data de agosto de 2011 e teria sido encontrado na casa de Andressa, durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em julho deste ano. Na procuração, a empresa Mestra dá à mulher do contraventor poderes administrativos para atuar em assuntos do condomínio Alphaville, onde se localiza o imóvel. Por meio dele, Andressa poderia, dentre outras ações, determinar acesso de terceiros ao condomínio e lidar com funcionários.

Descartando que o documento possa ligar a compra da casa a Cachoeira, a assessoria do governador Marconi Perillo disse ao Terra que a divulgação do fato não muda o que o tucano já declarou sobre a venda da sua antiga casa. Segundo a assessoria, quem deve explicar a existência da procuração é quem a passou. "Esse assunto da casa já foi devidamente e exaustivamente explicado pelo governador Marconi Perillo, inclusive na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso. Documentos como este devem ser explicados por seus autores".

A venda da casa foi um dos assuntos que levou Perillo a depor CPI do Cachoeira. Aos parlamentares que investigam as relações de Cachoeira com autoridades, o governador afirmou que não há contradições na transação, realizada porque precisava de um lugar maior para receber convidados.

Segundo Perillo, o imóvel seria vendido por R$ 1,4 milhão ao ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez, que na hora de fazer a documentação da venda, afirmou não ter dinheiro para quitar a dívida. Garcez, conforme o governador, disse que repassaria o negócio ao empresário Walter Paulo Santiago, e entregou três cheques pré-datados para março, abril e maio de 2011. Santiago não foi encontrado para comentar o assunto.

Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.

Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.

Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.

Andressa Mendonça, mulher de Cachoeira, teria recebido procuração da empresa que comprou a casa do governador Perillo
Andressa Mendonça, mulher de Cachoeira, teria recebido procuração da empresa que comprou a casa do governador Perillo
Foto: Diomício Gomes/O Popular / Agência Estado
Fonte: Especial para Terra

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