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Área de UPP era comandada pelo tráfico, confirma polícia

25 set 2011
09h25
atualizado às 09h27

Investigações da Polícia Militar (PM) que flagraram o mensalão do tráfico pago a policiais da unidade de polícia pacificadora (UPP) da Coroa, Fallet e Fogueteiro revelam que o crime organizado comandava o patrulhamento nos morros de Santa Teresa, como O Dia publicou com exclusividade no dia 11 de setembro. Por quatro meses, traficantes delimitaram locais por onde policiais deveriam circular, alteraram escala de trabalho dos agentes e exigiram a transferência de quem desobedecia suas regras.

Os criminosos criaram até áreas de exclusões de PMs, onde não haveria patrulhas de quinta-feira até domingo, e o dia certo para o pagamento das propinas: segunda-feira, no começo da noite. As quantias variavam entre R$ 100 e R$ 500. Por mês, o tráfico desembolsava R$ 53 mil para as propinas.

As ordens do tráfico de drogas eram repassadas por um homem identificado no inquérito policial apenas como Alan. É ele quem aparece falando com o sargento Rinaldo do Desterro Santos nas conversas telefônicas interceptadas pela PM e entregues à Auditoria de Justiça Militar. Em alguns trechos, o suposto traficante reclama ao militar da presença de dois policiais que atrapalham a venda de drogas.

Rinaldo liga para o tenente Rafael Medeiros, subcomandante da UPP, e avisa sobre o inconveniente. Os dois soldados são transferidos de escala. Em outra gravação, o suposto traficante liga para o sargento e cobra explicações: mesmo acertados com o comando, há invasão de PMs nas áreas do crime e atirando contra bandidos. E avisa: vai revidar se não trocar os policiais. A dupla não aborreceu mais.

Quem também é transferido por interferência do traficante é um sargento, responsável pelo policiamento no Morro da Coroa. Suas ações, reclama o bandido, estão "atrapalhando o movimento". Na hora o tenente Medeiros transferiu o militar das ruas para o serviço interno da UPP.

Caixinha para sargento dispensar soldados
Além de faturar com a caixinha do tráfico, o inquérito aponta que o sargento Rinaldo Santos faturava mais para liberar os soldados do trabalho. Foram 17 conversas gravadas em que o militar cobra R$ 100 para livrar o policial da escala de serviço. Ele também usou de suas amizades com o tráfico para livrar dois policiais, que de folga foram à boca de fumo tentar "a sorte grande".

Dominados, viraram reféns dos traficantes. Foi então que um deles ligou para o militar e relatou a ação dos PMs. O sargento negociou e conseguiu a liberação dos colegas. Pelo que os investigadores detectaram nas gravações, o esquema de corrupção funcionaria muito bem em dois dos quatro plantões. Detectaram, também, que alguns PMs se recusaram a receber as propinas do tráfico. Após a denúncia de O Dia, 30 PMs suspeitos foram afastados e três estão presos. O comando da UPP local foi substituído.

Fonte: O Dia

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