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Cocaína entra no País em embalagem de sal de fruta

27 de novembro de 2007 08h13 atualizado às 08h16

Farmácias localizadas em pelo menos três cidades fronteiriças com o Paraguai estariam sendo utilizadas como fachada pelo traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e os "sócios" Irineu Pingo Soligo e Jarvis Ximenes Pavão para a distribuição de drogas para o Brasil. Os estabelecimentos são usados para a compra de sal de frutas, substância utilizada por eles para misturar com a cocaína adquirida na Colômbia.

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A estratégia, utilizada pelo menos desde 2000, é fazer com que as farmácias sempre encomendem mais quantidade do produto do que realmente vão vender. O excedente é mandado de volta ao Brasil e, nas embalagens, em vez do medicamento, a remessa é de cocaína, já misturada ao sal de fruta.

Para dar aparência de legalidade ao negócio, motoristas de caminhões que trazem os carregamentos apresentam notas fiscais nas rodovias para não terem o material apreendido. Acordos com empresas distribuidoras facilitam o escoamento da droga para os mercados consumidores do Rio de Janeiro e de São Paulo.

As três cidades onde ocorreria o esquema seriam Coronel Sapucaia, Ponta Porã e Amambaí, no Mato Grosso do Sul. Segundo moradores da região, o negócio é tão lucrativo que o número de farmácias vem crescendo. Em média, a cada 100 m, há pelo menos três estabelecimentos, de acordo com fontes ouvidas por O Dia.

Beira-Mar, Soligo e Pavão mantêm um consórcio na fronteira. Eles se utilizam do mesmo esquema para trazer a droga da Colômbia. O encarregado de negociar a cocaína com os traficantes do cartel Norte del Valle é Leomar Oliveira Barbosa, o Leozinho da Vila Ipiranga, que está no país desde fevereiro, segundo policiais. Por semana, saem da Colômbia cinco vôos, cada um trazendo cerca de 500 kg de cocaína.

A droga é levada para uma das fazendas de Beira-Mar na localidade de Cerro 21, a 50 km de Capitán Bado, onde é feita a mistura. Normalmente, 500 kg de cocaína são transformados em 1 t, despachada para o Rio, São Paulo e Fortaleza.

Rio
O traficante Robson André da Silva, o Robinho Pinga, chega ao Rio hoje, vindo da Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, para participar de audiência de prova de acusação na 40ª Vara Criminal. A presença do criminoso no Estado poderá se tornar definitiva, já que ele está com um tumor na cabeça. A defesa dele alega que o bandido não estaria sendo submetido a um tratamento adequado na cadeia.

A 2ª Vara Criminal de Curitiba já encaminhou ofício solicitando vaga para transferência de Robinho Pinga para cadeia no Rio.

Laudo do ambulatório do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (UniOeste) aponta que o traficante apresenta "uma lesão em lobo occipital esquerdo, que, pelo aspecto em ressonância magnética, é bastante sugestivo de um processo primariamente neoplásico (tumor)". Ele precisaria passar por uma cirurgia, que seria impossível em Catanduvas. O bandido tem passado mal e sofrido desmaios. Robinho foi preso pela Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae) às vésperas do Natal de 2005, no Interior de São Paulo.

O Dia
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