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UNE receberá repasse milionário da SPTrans por carteirinhas

Junto com a UMES, entidade receberá cerca de R$ 6 milhões a partir do ano que vem com mudança no sistema de bilhetagem estudantil

8 mai 2015
19h04
atualizado às 19h08
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A partir de janeiro do ano que vem, entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a UMES (União Municipal dos Estudantes Secundaristas) receberão um aporte milionário da Prefeitura de São Paulo por meio da SPTrans, empresa que gerencia o transporte público municipal. O repasse, no valor de quase R$ 6 milhões, refere-se à emissão de bilhetes de transporte estudantil, os quais, desde o fim do mês passado, passaram a ser obrigatoriamente vinculados às entidades. Ate então, a modalidade era opcional.

Na prática, porém, pouco muda para os usuários: benefícios como a meia-entrada em eventos, vinculados pela SPTrans como supostas vantagens do novo sistema de bilhetagem, já são garantidos por lei só com a apresentação de um documento que comprove o vínculo entre estudante e instituição de ensino.

Comunicado da SPTrans aos estudantes, por e-mail, fala de "benefícios" das carteirinhas da UNE/UMEs que já existem com a carteirinha da escola ou faculdade
Comunicado da SPTrans aos estudantes, por e-mail, fala de "benefícios" das carteirinhas da UNE/UMEs que já existem com a carteirinha da escola ou faculdade
Foto: Reprodução

O custo do novo bilhete é o de sete tarifas fechadas – R$ 3,50 cada -, ou R$ 24,50. Desse total, R$ 11,90, ou 3,4 tarifas, vão para as entidades estudantis. Segundo a SPTrans, são cerca de 500 mil estudantes cadastrados – o que gerará repasse de R$ 5,95 milhões às entidades.

Antes da mudança, o estudante pagava taxa de R$ 17,50 referente a cinco tarifas; a da UNE/UMES custava R$ 45,50 (valor de treze tarifas). Desse total, oito tarifas (R$ 28) ficam com as entidades – mais que o dobro do valor unitário que passa a valer agora.

A situação irritou usuários que tinham o Bilhete Único Estudantil, segundo os quais a mudança, repentina, teria feito com que estudantes precisassem pagar a tarifa cheia até as carteirinhas serem entregues. Até maio, segundo a SPTrans, foram quase 120 mil bilhetes UNE/Umes encaminhados.

“Recebi o bilhete UNE sem nenhuma requisição da minha parte – e eu tinha acabado de pagar pelo Bilhete Único Estudantil. Como fizeram e não nos avisaram, muita gente foi tentar usar semana passada o bilhete antigo, constatou que ele não funcionava e precisou pagar tarifa inteira”, reclamou a aluna de História Renata Bertoni, de 21 anos, da Universidade de São Paulo (USP). Só lá, serão 16 mil novos bilhetes agora atrelados à UNE ou à UMES.

Renata conta que, ao ter o bilhete antigo cortado, e até chegar o novo à universidade – em um posto onde, esta semana, havia de duas a quatro funcionárias para entrega de 16 mil carteirinhas –, ela e outros colegas tiveram de desembolsar os R$ 3,50 pagos por percurso.

“Não gostei da mudança. Ano que vem, vamos pagar uma taxa mais cara para renovar o bilhete estudantil e par algo que, sinceramente, não traz benefício algum. Hoje consigo meia entrada em qualquer lugar com minha carteirinha da USP”, declarou a universitária. “Foi algo feito totalmente às escondidas: só nos comunicaram a decisão. E, sinceramente, não me sinto representada pela UNE nem por nenhum outro movimento estudantil; eles nutrem uma rivalidade que, em época de debates, eleições, as pessoas viram praticamente inimigas umas das outras. Não nego que a UNE teve um papel importante contra a ditadura, mas isso passou”, definiu Renata.

O Terra conversou com a estudante da USP depois de ela ter postado sobre o assunto em um grupo de alunos da instituição no Facebook. As queixas sobre a mudança surgiram em vários comentários – a maioria, de alunos que não gostaram de o processo ter sido à revelia deles.

“Custava avisar? Isso de emitir outro sem avisar e bloquear o que está com a gente é muito errado!”, escreveu uma usuária. “Já paguei pra ativar meu bilhete de estudante esse ano, se quiserem me dar um novo sem eu nem solicitar que me deem mesmo, sem pagar. Pq é injusta essa merda”, comentou outra aluna. “Gente, meu bilhete ainda funciona, mas o meu é passe livre. Fui ao site ver esse bilhete aí e realmente tem um bilhete único da UNE liberado pra mim sem eu nem pedir. E agora? Meu BU eu peguei no Brás, pra onde vai esse novo? Eu posso não querer ele?”, indagou a estudante, em outro comentário.

Manifestações em SP este ano rechaçaram o aumento da tarifa de transporte - de R$ 3 para R$ 3,50
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Foto: Arte Terra

Apesar das reclamações, a SPTrans negou que o bilhete estudantil antigo tenha sido bloqueado e salientou que a medida não representa “qualquer ligação ou cadastro junto à entidade”.

“As cotas de estudante poderão ser utilizadas até que esgotem e, posteriormente, o cartão poderá ser utilizado para outros créditos, que não o estudante”, explicou o órgão, em nota. “Os novos cartões começaram a ser expedidos em abril e a estimativa é que a entrega seja concluída em maio a todos os 500 mil cadastrados. Todos os alunos estão sendo avisados da substituição por e-mail, constante em seus cadastros, quando os cartões são enviados às instituições de ensino”, concluiu.

O aluno que quiser saber se a identificação estudantil já foi enviada para a escola ou faculdade precisa acessar o cadastro no endereço http://bilheteunico.sptrans.com.br, e, lá, consultar o item “meus cartões”.  A SPTrans informa ainda que não é necessário validar o novo bilhete em um posto, uma vez que a ativação é automática ao envio dele à instituição.

O custo com a compra dos cartões com a estampa da carteira de identificação estudantil será de R$ 1,77 a unidade, compartilhado entre a SPTrans e as entidades estudantis. A empresa municipal estimou em 50% a 50%, no modelo antigo, a quantidade de cartões do bilhete municipal e dos conveniados – ou seja, ao menos metade das carteirinhas entregues em fevereiro estão sendo inutilizadas com a mudança.

Procurada desde essa quinta-feira, a UNE – cuja diretoria nacional tem filiação ao PCdoB, partido aliado ao PT do prefeito Fernando Haddad – não respondeu às perguntas enviadas pela reportagem sobre os novos moldes do convênio com a Prefeitura de São Paulo, nem retornou o pedido de entrevista.

Terra

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