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Marcha da maconha reúne 3 mil pessoas em São Paulo

Manifestação começou na Avenida Paulista e seguiu pela Rua Augusta, sentido Centro

26 abr 2014
17h46
atualizado às 23h35
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Cerca de 3 mil pessoas participam da Marcha da Maconha, realizada no Centro de São Paulo, neste sábado. De acordo com informações da polícia, a manifestação começou em frente ao Masp, na Avenida Paulista, sentido Consolação, e seguiu pela rua Augusta em direção ao Centro. A polícia afirmou que nenhuma ocorrência foi registrada até às 17h30.

Cerca de 3 mil pessoas participaram da Marcha da Maconha em São Paulo
Cerca de 3 mil pessoas participaram da Marcha da Maconha em São Paulo
Foto: Renato S. Cerqueira / Futura Press

Os manifestantes entoaram carregavam faixas com dizeres como "legaliza Dilma vez!". Neste ano, o tema da passeata é o plantio individual da cannabis. Os organizadores esperavam mais de 10 mil pessoas no ato

Segundo a página oficial do evento, o objetivo é a “regulamentação da maconha, pelo fim da guerra e fortalecimento das alternativas de políticas públicas que respeitem as liberdades individuais e os direitos humanos”.

De acordo com os organizadores, a Marcha da Maconha deste ano está sendo realizada em cerca de 20 cidades em diversas regiões do País.

“Reinvindicando o uso medicinal e o fim da violência, a partir de hoje milhares de pessoas pelo país vão às ruas fazer uma Marcha da Maconha para toda família”, diz a página oficial da Marcha da Maconha no Facebook.

De acordo com o integrante do coletivo Desentorpecendo a Razão, Rodrigo Vinagre, um dos organizadores do ato, a forma atual de combate às drogas está falida, levando à morte e prisão os jovens pobres e negros. "Estamos aqui marchando pela paz e em busca de uma nova política para as drogas. A legalização da produção, distribuição e consumo da maconha é o primeiro passo para isso".

Vinagre explicou que a lei de 2006 criou a figura do usuário, com intuito de descriminalizar o consumidor, porém não define qual a quantidade para que o indivíduo seja considerado traficante ou não. "Essa lei é totalmente subjetiva cabendo ao policial definir se a pessoa é usuária ou traficante. Assim o branco de classe média é enquadrado como usuário, e um negro pobre da periferia como traficante mesmo que estejam com a mesma quantidade".

Durante a marcha, os participantes receberam orientações de segurança. E uma das ideias era fazer um cordão de isolamento com intuito de reforçar o caráter pacífico do ato. "Queremos mostrar que não precisamos da tutela da polícia nem do Estado para fazer uma manifestação. A ideia também é não usar maconha durante o ato."

Em defesa do uso da substância como medicinal, um grupo de pessoas, usuário da maconha para minimizar sintomas de diversas doenças, caminhou na frente da marcha. A artista plástica Maria Antônia Goulart, 65 anos, teve câncer há sete anos e contou que usou a maconha com consentimento médico. "Isso me ajudou muito porque a maconha reduziu meus enjoos e dores, me deu sono, fome, me tirou do foco da doença". Quando terminou o tratamento, ela parou de usá-la. Em seguida, descobriu outra doença e retomou o uso para diminuir os efeitos da fibromialgia, síndrome que provoca dores por todo o corpo por longos períodos.

Gabriela Moncau, do bloco feminista da Marcha da Maconha em São Paulo, avaliou que o debate da legalização da droga está ligado à questão de gênero. "Tem o debate também do direito ao prazer. Até mesmo quando usam as drogas lícitas as mulheres são mal vistas. Uma mulher sozinha em um bar, que bebe em uma festa ou que use qualquer outra droga é vista como disponível. O debate do direito ao prazer vem casado ao direito ao próprio corpo", disse.

Com informações da Agência Brasil.

Fonte: Terra
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