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Homem se acorrenta para pedir transplante urgente ao filho

20 abr 2017
20h18
atualizado às 21h47
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Em greve de fome e acorrentado há 16 dias em um prédio da Justiça Federal, em São Paulo, para tentar conseguir um transplante de múltiplos órgãos urgente para o filho de apenas 1 ano e 4 meses, o carpinteiro José Gomes Soares lamenta a demora para a conclusão do processo no Brasil e, por isso, quer autorização da Justiça para que o bebê seja submetido à cirurgia nos Estados Unidos com o custo avaliado em US$ 1 milhão pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Foto: Rogerio de Santis / Futura Press

O bebê Samuel nasceu com a Síndrome de Berdon, doença rara que causa má formação do sistema digestivo, o que faz com que ele precise de um transplante de órgãos como estômago, intestino e fígado.

"Me acorrentar foi um jeito de pedir que a justiça seja feita, pois eu posso me soltar a qualquer momento, e meu filho não, porque está acorrentado à morte se continuar esperando o transplante no Brasil", argumentou Soares, de 26 anos.

O medo do carpinteiro é ficar esperando a doação dos órgãos no Brasil e chegar a um ponto em que o estado de saúde de Samuel impeça a realização do transplante. Por isso, o pedido da família é realizar a cirurgia nos EUA.

Soares contou à Agência Efe que o filho nunca se alimentou pela boca desde que nasceu, e a preocupação da família com o caso aumentou até que, ainda no ano passado, entrou com um processo contra o SUS solicitando o transplante em caráter urgente.

"Se a justiça brasileira demorar mais, o Samuel vai morrer, pois ele já está bem fragilizado por causa da alimentação parental e tem cerca de duas infecções por mês, o que prejudica ainda mais sua saúde", afirmou.

A nutrição parental é uma espécie de infusão que leva nutrientes direto para o sistema circulatório, um processo pelo qual Samuel passa há nove meses em um centro especializado de Porto Alegre, para onde foi transferido.

O Ministério da Saúde informou em nota que o centro é um local de "elevada experiência no âmbito de reabilitação intestinal para preparo de um eventual transplante, o que inclui, por exemplo, necessidade de estabilização clínica, ganho de peso e real confirmação da necessidade de um transplante".

A transferência ocorreu por meio de um acordo com a Justiça Federal no estado de São Paulo e a participação do Ministério Público.

Para tentar angariar fundos para o transplante e custear gastos em Porto Alegre, Soares criou a campanha "Ajude o guerreiro Samuel" em uma página do Facebook. Até o momento, ele estima uma arrecadação de R$ 150 mil.

De acordo com o Ministério, a criança está inscrita na lista de espera de transplantes multiviscerais em situação de prioridade nacional - pela qual o primeiro doador compatível identificado será destinado a Samuel.

O Ministério também informou que o transplante é o último estágio de tratamento e "somente pode ser considerado quando todas as demais terapias prévias e tratamentos possíveis falharem, por se tratar de um procedimento de altíssima complexidade e pelos riscos que pode trazer ao paciente".

Soares, no entanto, reitera que não pode esperar mais para a realização do transplante e que não sairá da corrente "enquanto não houver solução judicial" para o caso.

O Ministério da Saúde destacou que o transplante multivisceral no Brasil tem uma fila de espera específica. Seis cirurgias já foram feitas e apenas duas foram bem sucedidas.

Segundo a última pesquisa da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), divulgada em dezembro de 2016, a doação de órgãos no Brasil cresce lentamente e ainda é insuficiente para a demanda, o que preocupa a família de Samuel.

De acordo com o estudo, a taxa de doadores efetivos cresceu 3,5% em 2016, mas o número de doadores equivale a quase 15 pessoas em um milhão.

Mais de 40% das famílias brasileiras ainda negam a doação de órgãos, principal razão para que os transplantes não sejam realizados no Brasil, de acordo com a ABTO.

EFE   

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