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Mãe de jovem interno na Fundação Casa denuncia violência na unidade

17 fev 2017
08h44
atualizado às 12h46
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Adolescentes internos da Fundação Casa Jatobá, que pertence ao Complexo Raposo Tavares, na Grande São Paulo, acusam funcionários de agressão no domingo, dia 5 de fevereiro. Os pedidos de socorro vieram por cartas. Em uma delas, um dos jovens conta o que teria acontecido no dia: "Venho escrevendo essa carta para as autoridades, querendo e pedindo a ajuda de vocês. Domingo, dia 5 de fevereiro, período da tarde na Fundação Casa Jatobá, dia de visita, estávamos no pátio e não poderíamos tirar a camisa, diziam os funcionários. Mas naquele dia estava muito calor e acabamos tirando a camiseta". Pediram para nós colocarmos a camiseta e eu coloquei. Mesmo assim, no período da noite, os agentes se reuniram, entraram nos quartos e agrediram eu e mais 12 adolescentes. Só que os jovens que foram agredidos estão com muito medo de dizer algo e acabar apanhando novamente. Nesse acontecimento do domingo, eles agrediram com pontapés, socos, madeira, enforcamento e soco inglês. Estou marcado com vergões e sangue pisado nos olhos. Estou disposto a mudar e crescer fazendo o bem, mas assim do jeito que estou sendo tratado, sofrendo agressão, não está ajudando. Tenho medo do que pode acontecer comigo se descobrirem que eu escrevi isso, por isso não irei me identificar. Aguardo resposta das autoridades e espero que seja o mais rápido possível. Boa tarde".

A mãe de uma das vítimas, Sandra Silva da Costa, que falou ao Cenas da Cidade nesse vídeo, confirmou as agressões. "É verdade, sim. Meu filho me disse que o funcionário chamado Thiago agrediu ele com um pedaço de pau", conta. O filho dela, Gabriel, ficou quase 4 meses na Fundação Casa do Brás - que é uma unidade de passagem -, depois de ser detido por roubo de carro, e chegou à Jatobá há pouco mais de duas semanas. "Um funcionário chegou dando um tapa na cara do meu filho e perguntando se ia agredir ele. Como vai agredir se está preso? Ele está aqui para ser corrigido não agredido. Não pode. Como é que vai ser corrigido se ele vem aqui e apanha do funcionário? Ele vai sair daqui e vai querer matar todo mundo. Nem em bicho a gente bate, imagina o ser humano", desabafa Sandra. "Isso aqui não corrige ninguém. É escola do crime".

Segundo o diretor regional da Divisão Regional Metropolitana 4, Guilherme Astolfi Caetano Nico, o que aconteceu no dia 5/02 foi um ato de indisciplina envolvendo 4 adolescentes, que teria obrigado os servidores a agir para conter os mais arredios. "Foi mais uma molecagem, você sabe que na Fundação tem alguns procedimentos, normas. Esses quatro se recusaram a cumprir e tentaram incitar alguns outros adolescentes para uma revolta maior, mas ninguém mais aderiu. É uma unidade que está melhorando muito o comportamento. Nós temos trabalhado muito para promover a cultura de paz e o bom relacionamento entre servidores e adolescentes e entre eles mesmos", explicou Guilherme, que também ressaltou que no exame de corpo de delito não houve constatação de qualquer marca de violência, o que, para ele, prova que há exagero no relato dos meninos. Ele enviou por Whatsapp um vídeo em resposta às denúncias.

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