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A polêmica que levou a Disney a cortar o contrato com o youtuber mais bem pago do mundo

14 fev 2017
08h47
atualizado às 08h58
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A Disney cortou seus laços com PewDiePie, o mais bem pago astro do YouTube, após ele ser acusado de antissemitismo por vídeos seus que continham referências nazistas e discriminatórias em relação a judeus.

PewDiePie é o nome artístico do sueco Feliz Kjellberg, de 27 anos.
PewDiePie é o nome artístico do sueco Feliz Kjellberg, de 27 anos.
Foto: Getty Images

PewDiePie, nome artístico do sueco Feliz Kjellberg, de 27 anos, concordou que o conteúdo dos clipes é ofensivo, mas afirmou não ter apoiado "nenhum tipo de atitude de ódio".

Ele era, desde 2012, um dos contratados da Maker Studios, empresa comprada pela Disney em 2014 que promove, produz e distribui vídeos de youtubers famosos que atraem bilhões de visualizações por mês - e geram receita milionária pela publicidade veiculada em seus canais.

O contrato firmado com a Maker Studios lhe dava independência editorial. No entanto, a empresa disse, em um comunicado, que "apesar de Feliz ter conquistado fãs sendo provocador e irreverente, ele claramente foi longe demais neste caso".

O YouTube não removeu o material de seu site e não quis comentar especificamente sobre os vídeos de PewDiePie.

Suástica e Hitler

A controvérsia se intensificou após o jornal americano The Wall Street Journal fazer um levantamento e mostrar que nove vídeos publicados por PewDiePie desde agosto passado tinham referências nazistas ou antissemitas.

Em um deles, dois indianos contratados por PewDiePie por meio do site de trabalhos freelancers Fiverr seguram um cartaz em que se lê "Morte a todos os judeus".

Após ser questionado pelo jornal, ele teria tirado do ar três clipes que tinham juntos 23 milhões de visualizações. Em um deles, um homem vestido como Jesus Cristo dizia que "Hitler não havia feito nada de errado".

Em resposta às críticas, ele disse que "estava tentando mostrar o quanto o mundo moderno é maluco, especialmente alguns serviços disponíveis online" e que as pessoas "dizem qualquer coisa por cinco dólares".

Ele disse ser "risível" sugerir que ele apoia a mensagem passada, mas acrescentou que "não foi sua intenção" e que entende que "as piadas foram ofensivas".

Em outro vídeo, ele fez piadas com uma suástica desenhada por um fã, tocou o hino do Partido Nazista e fez uma breve saudação a Hitler - tudo brincadeira, segundo ele.

Sucesso

Sueco de 27 anos concordou que vídeos são ofensivos, mas diz não ter incentivado nenhuma atitude de ódio.
Sueco de 27 anos concordou que vídeos são ofensivos, mas diz não ter incentivado nenhuma atitude de ódio.
Foto: Reprodução

Além de ser contratado da Maker Studios, PewDiePie também tinha, desde 2016, uma joint venture com a empresa Studios em uma rede de canais online chamada Revelmode, que produz vídeos, aplicativos para celular e produtos promocionais.

No ano passado, ele teria faturado US$ 14,5 milhões (R$ 47 milhões) com patrocínios, aparições públicas e anúncios veiculados no YouTube, segundo estimativas da empresa de análise de dados de mídia social NeoReach.

Com vídeos em que aparece jogando videogame, fazendo piadas e dando sua opinião sobre diversos assuntos, ele conquistou mais de 53 milhões de seguidores, acima do dobro do segundo youtuber mais popular do portal, e mais de 14 bilhões de visualizações, um número que não é igualado por nenhum outro canal do site.

No ano passado, PewDiePie foi suspenso temporariamente do Twitter após fazer piadas com o grupo extremista Estado Islâmico.

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