» Jornalista atira sapatos em Bush 
» Bush insiste na importância de missão
Bush será lembrado por duas heranças, diz o professor de História do Elite Vestibulares Rafael Menezes: a perda da legitimidade internacional dos EUA frente ao mundo devido à guerra contra o terror e a mais grave crise econômica desde 1929. "As questões possivelmente vão contextualizar a Era Bush como um símbolo da instabilidade do período do pós-Guerra Fria, de 1991 até hoje", explica.
A vitória do capitalismo sobre o socialismo provocou um desequilíbrio: não há mais um inimigo a ser combatido. As guerras no Golfo Pérsico são um exemplo de choques entre o mundo ocidental e o mundo oriental, não-adepto da democracia à moda americana. "O problema dessa visão, adotada por intelectuais como Samuel Huntington, é que rotula as coisas de forma simplista, ao encarar o mundo islâmico como um povo de fanáticos. E divide tudo entre bem e mal, quando sabemos ser tudo mais complicado do que isso", opina Menezes.
A guerra atual do Iraque, que provocou o arremesso de sapato em Bush, é o terceiro capítulo de uma longa novela de conflitos no Golfo. As bancas de vestibular consideram-nos dentro de uma visão geopolítica mais global: desde a guerra entre Irã e Iraque, o principal interesse envolvido é a influência sobre as maiores reservas de petróleo do mundo.
Questões ideológicas, como a defesa da democracia, e o combate ao terrorismo são ingredientes fundamentais nesse caldo que ferve no Oriente Médio, e fatos como a atitude do jornalista iraquiano lembram outro conflito que marcou a sociedade americana para sempre. "A resistência iraquiana aos membros da coalização anglo-americana lembra um novo Vietnã", avalia o professor. Confira as três principais guerras recentes do Golfo Pérsico:
Irã-Iraque (1980-89): no contexto dos conflitos de baixa intensidade da Era Reagan, foi um combate focado contra o Irã Xiita, que havia rompido relações com os EUA desde a Revolução Iraniana de 1979.
Guerra do Kuwait (1991): com a invasão do Kuwait pelo Iraque, e o conseqüente controle de poços de petróleo, os EUA montaram uma ofensiva contra o ditador iraquiano Saddam Hussein, antigo aliado na guerra anterior. À frente de forças da ONU, limitaram-se a expulsar o Iraque do território kuwaitiano, sem invadir o país ou derrubar Saddam.
Guerra do Iraque (2003): aproveitando-se da caçada a Bin Laden no Afeganistão, alegou-se que o Iraque tinha armas de destruição em massa para justificar uma invasão. Apesar do veto do conselho de segurança da ONU, os EUA (com o apoio da Inglaterra de Tony Blair) invadem o país e derrubam Saddam. Porém, permanecem atolados nos conflitos internos iraquianos.
Redação Terra