Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte
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Os dois amigos moram em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte. E como os 24.260 candidatos que disseram ter estudado desde a 5ª série do 1º grau em escola pública, esperam que o acréscimo de 10% na nota final os ajude a ingressar também na universidade pública.
"Achei a prova complicada, mas não chegou a ser muito difícil, principalmente a de inglês. Mas espero que, se no final, precisar de um empurrãozinho, este bônus venha ajudar," disse Perdigão, que tenta uma vaga no curso de Ciência da Computação.
"O que não concordo é que este sistema de 15% para quem se declarar negro. Isso é preconceito, mas quem estudou bastante vai passar para a segunda etapa, sim. As provas não estavam difíceis, não," concordou Loredo, que disputa um lugar no curso Ciências Biológicas.
"Na hora do desempate espero uma ajudinha sim. As provas estavam fáceis e acho que vai dar pra classificar," disse a estudante Nayara Santos, 18 anos, concorrente a uma vaga no curso de Direito.
O amigo dela, Anderson Júnior, 20 anos, concordou, "mas é melhor não abusar. Quem estudou vai conseguir beliscar uma vaga, as provas não estavam complicadas."
Quem também terminou as provas cedo foi a estudante Nicole Branbhuber Heck, 22 anos. Desanimada, ela até achou que as questões não estavam difíceis, mas revela que estudou pouco. "Acho que não vai dar pra passar. Não estudei o suficiente. Aparentemente a prova não estava complicada, se eu tivesse me preparado melhor, passaria," afirmou.
Na fila do telefone público para avisar a família que havia terminado as provas, a estudante Mayara Motti, 18 anos, estava confiante. Ela tenta uma vaga no curso de Educação Física. "Acho que fui bem. Não achei difícil, apesar de não ter feito cursinho. Estudei somente em casa," explicou Mayara, que ainda estuda o 2º grau em uma escola particular de Belo Horizonte.
Em frente ao prédio da Fafich, sentada num canto e "orando", estava a aposentada Maria Cândida da Silva. Ela veio de ônibus do bairro Florença, em Ribeirão das Neves, na grande BH, para trazer a neta até o campus da UFMG. Humilde, não soube dizer a qual curso concorria a uma vaga a menina, Natália Domingos Euzébia da Silva, 17 anos.
"Só sei dizer que estou esperançosa dela conseguir. Ela é muito esforçada," garantiu, enquanto esperava durante quatro horas e meia, tempo de duração das provas.
Redação Terra
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