Segredo de campeão

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Segunda, 27 de outubro de 2008, 10h20

Encare o vestibular mesmo bem depois da escola

Prestar vestibular anos depois de ter deixado os bancos escolares é um desafio tão grande quanto o de quem está na última etapa do colégio. Se os anos de experiência podem trazer mais cultura e uma dose de tranqüilidade, não é fácil resgatar na memória assuntos que nunca mais viu na vida.

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Para Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, essa acaba sendo uma das maiores dificuldades para o vestibulando veterano: "Durante o aprendizado, nos apropriamos dos conteúdos. Assim, também nos sentimos no direito de deletar o que não queremos mais usar. É necessário, então, reaprender. Por outro lado, a maturidade torna mais fáceis as questões interpretativas e interdisciplinares das provas, por exemplo".

As decisões tomadas na idade mais avançada também tendem a ser mais livres de interferências. Não há, como no primeiro vestibular de um adolescente, pressão da família quanto à escolha da carreira e quanto ao desempenho no concurso. "São expectativas diferentes. Mas é importante a pessoa estar determinada, saber por que vai fazer esse ou aquele curso. Normalmente, os principais motivos são complementar a vida profissional ou mudar de carreira", analisa Quézia.

Trocar de profissão era o que Régis Romero Pereira dos Santos procurava em 1996, aos 53 anos. Depois de uma longa carreira no Exército, com passagens por instituições como a Academia Militar de Agulhas Negras e o Instituto Militar de Engenharia - além de um mestrado em Engenharia Elétrica e experiência como pesquisador e professor em universidades - ele decidiu fazer o curso de Direito. Antes de se preparar para o vestibular, pediu uma vaga como aluno especial no curso da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), "para não tirar a vaga de um jovem". Ao ter o pedido negado, preparou sozinho um cronograma de estudos. "Na época, comprei um computador para estudar. Sou sistemático, tinha horário e dia para cada matéria. Tudo organizadinho", conta.

Acostumado aos cálculos físicos e matemáticos, seus pontos fracos eram português e literatura. "A redação, com o passar do tempo, ficou melhor. Eu tive de fazer muitos textos ao longo da vida, escrever uma tese", lembra. Durante o ano de preparação para o vestibular, Santos acabou passando também em um concurso para uma empresa de telefonia. Na UFRGS, foi um dos melhores alunos da turma de bacharéis que se formou em 2001. "Se o cara tiver vontade, ele vai lá e faz", resume.

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