Segredo de campeão

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Segunda, 20 de outubro de 2008, 11h53 Atualizada às 10h47

Vestibular: quando não dá pra escapar da decoreba

Foi-se o tempo em que para ir bem em algumas provas do vestibular bastava decorar meia dúzia de fórmulas e aplicá-las de acordo com o enunciado. Mas ainda que a interpretação e a lógica sejam mais solicitadas nos exames atuais, certas questões ficam mais fáceis se o vestibulando tiver fórmulas e regras fresquinhas na memória. Nesses casos, melhor nem tentar fugir da decoreba.

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Caio Sérgio Calçada, coordenador de cursinho do Objetivo, em São Paulo, diz que algumas provas já dão as fórmulas necessárias: "Na Fuvest, por exemplo, há um box com as que precisam ser usadas na questão. Para os que não dão nada, os professores de cursinho costumam ensinar uma frase, uma piada, uma musiquinha. É um recurso para ajudar o aluno a memorizar".

Segundo Calçada, o mais usado na biologia são as músicas - paródias ou criações dos próprios professores -, nas quais se explicam algumas regras. "Na química, costuma-se colocar fórmulas em versinhos. O mesmo ocorre com a matemática", diz o professor, antes de lembrar uma dica. Para memorizar a fórmula do seno de a mais b (sen (a + b) = sen a . cos b + sen b . cos a), os professores de matemática ensinam o seguinte versinho, adaptado do famoso poema Canção do Exílio:

Na minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá
Seno a cosseno b, seno b cosseno a

Professor de física, ele diz que todos os anos cai alguma questão de eletromagnetismo na qual é necessário usar a fórmula do raio da trajetória da partícula lançada num campo magnético (r = m . v / q . B, na qual r é o raio da trajetória, m é a massa da partícula, v é a velocidade, q é a quantidade de eletricidade e B é o campo magnético). Para lembrar essa, ensina Calçada, basta pensar na frase "Rabib (sic), me vê um quibe".

Mesmo sem lembrar o que dizem as leis de Newton, o candidato pode calcular a força resultante sobre um corpo de massa constante com aa fórmula F = m . a (F é força, m é massa e a é aceleração). "Essa é bem fácil: a força é má", sugere o professor.

Calçada reforça que saber as fórmulas não significa saber aplicá-las. "Mais importante do que decorá-las é saber o conceito, estudar o conteúdo e fazer aplicações. Ninguém passa no vestibular sem isso". Calçada compara os recursos de memorização aos atalhos de programas de computador no desktop. "A frase, a musiquinha é um ícone, um atalho para se chegar à fórmula. Se não souber mexer nele, de nada adianta facilitar o acesso".

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