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Lei Seca pode ser tema de redação e química

O assunto do momento no Brasil, a Lei de Tolerância Zero ao Álcool, a chamada Lei Seca, que domina as rodas de conversa, deve também aparecer nas provas de vestibular. Pela relevância e atualidade do tema, professores de cursinhos apostam que os próximos exames vestibulares apresentem questões envolvendo bebida e direção. "São dois assuntos bem atuais. O álcool, principalmente, por toda a questão envolvendo biocombustíveis e produção de alimentos", alerta o professor de português do curso Positivo Wellington Borges Costa.

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Ele chama a atenção para as possibilidades de o tema aparecer em redação. "Alguns assuntos são mais delicados, então acredito que a banca não vai pedir uma redação argumentativa pura e simples do tipo 'você é a favor ou contra'", explica. Ele sugere duas possibilidades envolvendo uma prova de redação. Uma delas é o exame apresentar um texto que aponte os prejuízos econômicos da medida, citando dados de quedas de vendas, por exemplo. A partir deste ponto, a questão pode exigir que o candidato construa uma redação analisando a argumentação explicitada no material. "As provas de redação estão cada vez mais criativas e menos parecidas com o formato tradicional dos textos escolares", diz Costa.

Segundo o professor do Positivo, as redações também podem estimular o estudante a um jogo de faz-de-conta. Por exemplo, que o candidato se coloque na pele do leitor de um jornal e escreva uma carta para o períodico, expondo argumentos sobre a lei seca. Ou, ainda, simular um artigo ou escrever uma peça publicitária. "O assunto com certeza vai estar em pauta", prevê.

O professor de Química e coordenador pedagógico do curso Objetivo, Antonio Mario Salles, alerta que pelo menos uma universidade já saiu na frente: a PUC-SP exigiu conhecimentos sobre álcool e direção no exame realizado em 29 de junho passado. "O tema geral da prova foi violência urbana. Dentro da área de biologia e química se falou em violência e abuso de álcool, exigindo conhecimentos sobre limites aceitáveis de consumo e uso de bafômetro, por exemplo", conta.

De acordo com Salles, questões envolvendo os efeitos do álcool no comportamento das pessoas são freqüentes. Há diferenças, por exemplo, entre sintomas como euforia suave e queda de atenção e perda de julgamento crítico e diminuição das reações motoras. "Os dois primeiros, considerados mais suaves, estão dentro de 6 decigramas de álcool por litro de sangue, o limite anterior a esta nova lei. A questão pode apresentar quantidade de latas de cerveja e pedir para relacionar com os níveis de álcool no sangue a partir de tabelas", avisa o professor do Objetivo.

Outra opção, diz ele, é a diferença entre consumir álcool em jejum ou durante o jantar. "Se uma pessoa beber três latas de cerveja em jejum, alcança o nível de 6 decigramas por litro de sangue em meia hora. Depois leva quatro horas para diminuir. Tradução: só vai poder dirigir depois de quatro horas. No entanto, se ela consumir a cerveja no jantar, o álcool atinge o pico no organismo em uma hora e depois os efeitos cessam após três horas, é mais rápido", explica Salles.

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