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Inflação pode aparecer nas provas do vestibular

Quem tem menos de 20 anos não deve lembrar dele, mas dos anos 80 até início dos 90 o dragão da inflação era o principal problema do Brasil. Salários eram corroídos por uma alta generalizada de preços, cujo índice chegou a atingir 80% ao mês. Em 1994, tudo mudou. A implantação do Plano Real conseguiu domar a inflação, fazendo com que os brasileiros desfrutassem de estabilidade econômica. Nos dias de hoje, porém, uma possível volta da inflação tem deixado o governo brasileiro em alerta. Para especialistas em educação e em exames vestibulares, o tema pode atrair a atenção das bancas universitárias e aparecer nas provas em diferentes formas.

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O professor de Português do Curso Positivo Wellington Borges Costa aposta na interdisciplinaridade do tema e dá algumas dicas que como a inflação pode ser abordada em diversas provas. Confira:

História - Foco na década de 80, com os diversos planos econômicos que tentaram estabilizar a economia brasileira. Em 1986, por exemplo, o presidente José Sarney instituiu o Plano Cruzado 1, que cortou três zeros após cada 1 mil cruzeiros, a moeda da época, que acabou substituída pelo Cruzado. Também foi implantado um congelamento de preços. "Era tudo tabelado, você não encontrava os produtos para adquirir. Foi tudo à revelia do mercado", lembra Costa. Após as eleições estaduais ocorridas no mesmo ano, em novembro, o governo liberou os preços e implantou o Plano Cruzado 2. O instrumento foi outro desastre, porque a inflação disparou, os combustíveis subiram 60,16%, automóveis 80% e bebidas 100%.

Em 1987 veio o Plano Bresser, apresentado por Bresser Pereira, que assumiu o ministério da Fazenda em 29 de abril de 1987, com sérios problemas de inflação. Um mês depois de sua posse, a inflação atingiu 23,26%. Em 1994, o governo federal, desta vez comandado por Itamar Franco, instituiu o Plano Real, responsável hoje por uma inflação anual de cerca de 4,5% no Brasil, considerada dentro das expectativas. O Plano Real foi implementado pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, que seria eleito presidente da República no mesmo ano.

Português - Questões econômicas não costumam ser solicitadas em profundidade nos textos de redação. "Podem colocar algum gráfico e pedir para interpretar no texto, nada além disto", explica Costa. O professor lembra que questões criativas podem aparecer como um elemento-supresa. É o caso da música Perplexo, do grupo Paralamas do Sucesso, que aborda a situação econômica brasileira e poderia ser inserida em um exame de português, pedindo contextualização da letra (Fim da censura, do dinheiro, muda nome, corta zero/Entra na fila de outra fila pra pagar/ Desempregado, despejado, sem ter onde cair morto/Endividado sem ter mais com que pagar).

Matemática - Costa chama a atenção para pegadinhas na prova de matemática. Por exemplo, a aparição de tabelas citando aumentos percentuais. "Se a inflação subiu de 6% para 8% no mês seguinte, a elevação foi de 2%. Verdadeiro ou falso? Falso, porque, na verdade, ela subiu dois pontos percentuais. Em termos totais, contudo, o índice subiu 30%", avisa. A prova pode explorar também confusões lingüísticas, como os termos inflação (aumento de preços e custos) e deflação (o contrário, redução).

Saiba mais sobre a inflação
Inflação é perda do valor de mercado ou redução no poder de compra do nosso dinheiro. Quando a inflação está baixa, considera-se que o País possui estabilidade de preços e condições macroeconômicas satisfatórias.

Na prática, continuamos vivendo a era da inflação permanente. A questão é de muita preocupação para o Banco Central (BC), responsável por manter os índices sob controle. Para a maioria dos bancos centrais, continua sendo uma estratégia, frente à ameaça de recessão, deixar a inflação subir um pouco acima do esperado pelo mercado. Contudo, uma política econômica sempre tem dois lados na balança: segurar a inflação sem reduzir o consumo das famílias, por exemplo.

Com crédito mais fácil e nível salarial em elevação, os brasileiros estão gastando mais em bens e serviços. Este é o lado bom da estabilidade econômica. Contudo, o aquecimento do consumo pode gerar alta inflacionária e, por isso, o governo toma medidas como aumento dos juros para reduzir o impacto do consumo na inflação.

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