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Células-tronco podem ser tema de redação

Um dos maiores embates científicos dos últimos anos no Brasil terminou em 29 de maio passado, com a liberação, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), das pesquisas com células-tronco embrionárias no País. Por ter mobilizado a opinião pública e por sua atualidade, o assunto é forte candidato a aparecer nas provas dos vestibulares, principalmente como tema de redações.

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A polêmica residiu, principalmente, na discussão sobre se os embriões humanos podem ser considerados ou não seres já com vida. Mas os ministros não definiram em que momento começa a vida humana - se na fecundação ou em outro momento da gestação ou no nascimento.

Para a hematologista Ângela Luzo, responsável técnica do Banco de Sangue de Cordão Umbilical do Centro de Hematologia e Hemoterapia da Unicamp, tirando de lado a polêmica que cerca o tema, o importante é que se abriu um horizonte para que os pesquisadores brasileiros possam recuperar dez anos de atraso na busca pela cura ou regeneração de muitas doenças. "Mas as pessoas não podem confundir, não é para agora, ainda há muito o que descobrir", alerta.

Segundo a médica, embora os estudos com células-tronco adultas tenham mais tempo de pesquisa e já tenham originado diversas terapias, as células embrionárias têm um aspecto peculiar: elas são pluripotentes, ou seja, têm mais possibilidades de aplicação. "Como são células que estão bem no início da formação de um ser, elas têm a capacidade de se transformar em qualquer tecido do corpo humano", explica. Trata-se de uma capacidade especial, pois as demais células só podem fazer parte de um tecido específico. Ou seja, células da pele só podem constituir a pele. Outra propriedade das células-tronco é a auto-replicação. Traduzindo, elas podem gerar cópias idênticas de si mesmas.

A terapia com células-tronco trata doenças por meio da substituição de tecidos doentes por células sem dano algum. Esse procedimento é muito utilizado (e comprovado) no transplante de medula em doentes de leucemia, por exemplo. A medula do paciente doador possui células-tronco sadias que substituem o tecido atingido por novas células. A expectativa da comunidade científica, portanto, é de que tratamentos com este tipo de célula possam, no futuro, tratar muitas doenças hoje consideradas incuráveis, como doenças degenerativas.

Ângela ressalta que, a princípio, poderão ser utilizados nas pesquisas embriões congelados que estejam armazenados há mais de três anos. "Faremos estudos para saber a viabilidade deste embrião para pesquisa, uma vez que são células congeladas há um bom tempo", conta. A pesquisadora destaca que diversos locais no Brasil estão capacitados, tecnologicamente, para desenvolver o trabalho. Há centros de excelência em São Paulo, Rio de Janeiro e no Sul do País. "Tecnologia temos, o que falta é verba para tocar os projetos", afirma.

O que é uma célula-tronco embrionária?
A fecundação do óvulo pelo espermatozóide origina uma primeira célula, que logo começa a se dividir: em duas, depois em quatro, e assim por diante. Até a fase de oito células, cada um pode dar origem a um ser humano completo. São conhecidas como totipotentes. Três dias após a fecundação, o embrião é considerado um blastocisto. Nesta fase, as células se dividem em dois grupos: um, externo, que cuidam da implantação do embrião e da formação da placenta, e outro, interno, vai originar o embrião propriamente dito.

As células internas do blastocisto vão constituir os muitos tecidos peculiares que compõem o organismo humano, por isso são chamadas de pluripotentes. O processo que gera essa capacidade ainda não é conhecido, e aqui reside a importância dos estudos com células-tronco embrionárias para a Medicina.

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