Vestibular

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Segunda, 4 de agosto de 2008, 10h46 Atualizada às 11h57

Paródias de músicas ensinam biologia. Veja

Aprender biologia ao som de Cazuza. Revisar a composição do nucléolo no ritmo de "O que é que baiana tem?". Não, não se trata de estudar com um rádio ligado ou com um mp3 player no ouvido, mas de um exercício divertido no meio de tantos livros e apostilas: cantar paródias.

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Para o professor de biologia Constantino Carnelos, do Colégio e Curso Objetivo, de São Paulo, as versões de músicas famosas são um bom instrumento de revisão, além de servirem para descontrair o aluno mais tenso. Há mais de 30 anos, ele apresenta paródias em aulas de cursinhos pré-vestibulares.

"Comecei a criar as músicas para motivar os alunos, fazer com que gostassem da matéria. Chega uma hora em que ele não agüenta mais estudar, mas com a música ele descontrai. Ela serve para revisar a matéria. Depois de muito tempo sem ver um conteúdo, lembra-se dele em poucos segundos", diz. As letras podem ficar na memória por anos. "Hoje, muitos dos meus médicos são ex-alunos. Alguns deles me recebem em seus consultórios cantando as musiquinhas que eu os ensinei em aula", conta o professor.

Carnelos ressalta que a música não faz milagres. Se não souber o conteúdo, de nada adianta decorar nomes de enzimas ou de organelas celulares. "O estudo vem sempre primeiro, a paródia é um complemento. Se não, o aluno fica feito um macaco de circo, só repetindo algo que não conhece". A brincadeira que facilita a revisão pode ser levada ainda mais longe. O mineiro Daniel Pereira Rocha, ou simplesmente Kid, 34 anos, começou a misturar música e estudo ainda no colégio e hoje, além de dar aulas, tem uma banda com o divertido nome de Tio DarWin. Aos 12 anos, fez sua primeira letra, sobre matemática, para uma feira escolar. Aprendeu a tocar violão e, quando entrou na faculdade de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa (onde depois reingressou para concluir o curso de Ciências Biológicas), já tinha feito parte de algumas bandas. Na preparação para o vestibular, ele mesmo revisou conteúdos com paródias dos professores.

"Estudei com um professor de Física que era muito bom nisso e ajudou muito", lembra. Depois de dois anos ganhando a vida tocando na noite, já como professor de um pré-vestibular na cidade, Rocha criou novas paródias para tornar as aulas mais interessantes. "Eu fazia até show dentro da sala de aula. Meus alunos foram meu primeiro público". Hoje, o repertório da Tio DarWin é formado basicamente por composições próprias, que tratam de assuntos atuais como células-tronco e clonagem. Mas as paródias do professor-músico continuam fazendo sucesso, dentro e fora da sala de aula.

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