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Venezuela contém surto da gripe suína em tribo amazônica

9 nov 2009
16h18
atualizado às 16h23
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Um surto do vírus H1N1 entre os índios yanomami na Amazônia venezuelana parece ter sido contido após uma rápida resposta médica. Considerada a maior tribo amazônica isolada, com uma população de cerca de 30.000 índios, os semi-nômades yanomami tinham contato limitado com o mundo exterior há até 50 anos. Mas desde os anos 1960 a população yanomami vem sendo afetada por doenças trazidas por mineradores e outras pessoas de fora da tribo.

As mortes de seis yanomami estão sendo investigadas para possíveis relações com o vírus H1N1. Mas Neris Villalobos, epidemiologista-chefe para o estado venezuelano do Amazonas, disse que o surto inicial teve seu pico no final de outubro e que o ritmo estaria diminuindo.

Possivelmente espalhados por pessoas de fora da tribo durante um evento organizado pelo governo venezuelano no mês passado, sintomas da nova gripe foram registrados em mais de mil yanomami, disseram autoridades de saúde locais.

"As ações foram bem sucedidas, embora não possamos dizer ainda que o problema acabou", disse Villalobos à Reuters em Puerto Ayacucho, capital da região amazônica venezuelana.

Ela disse que médicos ainda precisam visitar vilarejos distantes para diagnosticar qualquer caso não detectado da doença, conhecida popularmente como gripe suína.

O governo do presidente Hugo Chávez expandiu nos últimos anos os serviços médicos aos yanomami. Cerca de 30 médicos estão permanentemente baseados na região venezuelana da tribo, que avança sobre território brasileiro e tem tamanho equivalente ao da Grécia.

Muitos médicos são cubanos, que integram a iniciativa de Chávez de levar doutores às comunidades remotas do país.

Durante o surto, os médicos venezuelanos aumentaram a atenção sanitária. "Se as providências não tivessem sido tomadas (...) a tempo teria sido uma epidemia enorme", disse o médico cubano Giovanni Castellano.

A mineração ilegal de ouro na região, especialmente no lado brasileiro da fronteira, disseminou doenças como malária na tribo nos anos 1980, causando a morte de cerca de 20 por cento da população em apenas sete anos.

O vírus H1N1 teria entrado na região dos yanomami durante um encontro organizado pelo governo para celebrar o aniversário da chegada de Cristóvão Colombo às Américas, comemorado em 12 de outubro, afirmaram os médicos.

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