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 Lojistas garantem ter cadeirinhas, obrigatórias a partir de 4ª
31 de agosto de 2010 08h47 atualizado às 21h42

Cadeirinhas são expostas na entrada de lojas em Belo Horizonte. Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

Cadeirinhas são expostas na entrada de lojas em Belo Horizonte
Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

Ney Rubens
Tatiana Damasceno
Luis Bulcão Pinheiro
Thais Sabino

A partir de amanhã, 1º de setembro, será obrigatório transportar crianças de até 7 anos no banco traseiro do carro em cadeirinhas ou assentos de elevação, conforme a idade. A medida deveria ter entrado em vigor em junho, mas a falta do equipamento no mercado na época fez o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) adiar o começo da ação. Dessa vez, os comerciantes prometem que será diferente. Grandes praças como São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal garantem que o setor foi reabastecido para dar conta da demanda.

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Em São Paulo, o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado, Maurício Stainoff, afirmou que a comercialização do produto mais que dobrou. "Com certeza, a venda mais que dobrou em São Paulo. Agora, no entanto, a produção e importação se acentuaram e abastecem o mercado do Estado de São Paulo de forma suficiente".

A obrigação do uso do dispositivo, segundo Stainoff, criou oportunidades de negócios e lojas que antes não trabalhavam com o produto hoje têm a cadeirinha sempre disponível no estoque. "Temos cadeirinhas que custam de R$ 160 a R$ 2,5 mil, de acordo com o modelo e marca", disse. Segundo ele, a variação de preço acompanha a chegada de mais modelos para atender a população: "as lojas importaram quantidade grande de cadeirinhas e apareceu de tudo quanto é preço e jeito".

Mas, para ele, o pico na venda do produto deve diminuir com o tempo, já que as cadeirinhas podem ser reaproveitadas à medida que as crianças crescem.

No Distrito Federal, de acordo com o Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista-DF), o mercado local também se reabasteceu e hoje ninguém pode usar a desculpa de não encontrar o produto. "(Em junho) Todo mundo correu e as lojas não tinham como atender. Mas, hoje, não está faltando cadeira no mercado. A lei pode entrar em vigor, não compra quem não quer. Se pessoa não achar em Brasília, compra pela Internet. Não tem desculpa", disse Edson Castro, presidente interino do Sindivarejista-DF. Ele ressaltou que é importante o consumidor fazer uma ampla pesquisa antes da compra, dada a variação de preços.

Em Minas Gerais, a rede de lojas de roupas e acessórios infantis Baby informou que, nos últimos dez dias, foram vendidas cerca de 800 cadeirinhas nas quatro lojas que possui em Belo Horizonte. O pico de vendas foi no dia 28 de agosto, último sábado, quando o estoque, que é reposto diariamente, quase esgotou. "No final de semana vendemos quase todo o estoque e vamos receber mais cadeiras no final do dia", disse Nilva Machado, gerente da loja que fica no Shopping Del Rey, em Belo Horizonte. Segundo ela, a procura aumentou nas duas últimas semanas: "muita gente tem deixado pra última hora".

O grupo GPA, responsável pelo hipermercado Extra e pela rede Pontofrio, informou que as vendas triplicaram entre janeiro e junho de 2010 em relação ao mesmo período do ano passado. A cadeirinha chamada de "bebê conforto", por exemplo, teve um aumento de 60% nas vendas e as cadeiras para crianças de 7 anos, de 300%.

Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, a procura por cadeirinhas de bebê parece ainda ser pequena. O Sindilojas-RJ não tem informações sobre a demanda. Em um conjunto de 11 lojas pesquisadas no bairro Botafogo, entre especializadas em artigos infantis e lojas de departamento, apenas duas decidiram apostar na venda do produto. Mesmo nessas lojas, os artigos não estão encontrando a saída esperada.

A Casa&Vídeo passou a vender cadeirinhas de bebê depois que sancionaram a lei. De acordo com Cristiano Amaral, gerente de uma loja no bairro, a loja está preparada para uma eventual corrida às cadeirinhas. "A procura ainda não aconteceu. Temos o produto em estoque em quantidade suficiente. Com certeza, neste mês (setembro) a demanda vai aumentar", afirmou Amaral.

Belo Horizonte
Em dois hipermercados localizados na região sul de Belo Horizonte, funcionários afirmaram que os fabricantes das cadeirinhas e os chamados "bebê conforto" fizeram a reposição dos estoques de acordo com a demanda e também com os pedidos dos estabelecimentos.

Como a obrigatoriedade para o uso dos equipamentos de segurança começa nesta quarta-feira, os produtos estão expostos logo na entrada das lojas. A procura, segundo os vendedores, tem sido pequena nesta terça-feira, apesar da medida iniciar nas próximas horas. "Temos todos os modelos, com cores e preços variados. Pelo menos aqui nas nossas lojas de Belo Horizonte não vai faltar cadeirinha", disse a vendedora de um dos estabelecimentos, que pediu para não ter o nome divulgado por ela não ter autorização para dar entrevista.

Em outro hipermercado, uma funcionária afirmou que somente um dos acessórios utilizados nas cadeirinhas está em falta. "A procura foi grande de todos os modelos de cadeirinhas, mas no momento estamos em falta somente da almofada", que fica no assento da cadeirinha, para crianças com menor estatura ficarem mais altas, na altura do cinto de segurança.

A resolução
A partir do dia 1° de setembro entra em vigor a resolução 277 do Contran, estabelecendo a obrigatoriedade do transporte de crianças até 7 anos no banco traseiro do carro em cadeirinhas ou assentos de elevação, conforme a idade. Quem descumprir a regra poderá ser multado em até R$ 191,54, mais sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação. A resolução não se aplica para veículos de transporte coletivo, táxi e veículos escolares.

Os bebês com até 1 ano deverão utilizar o dispositivo de retenção denominado "bebê conforto" ou "conversível". As crianças com idade superior a 1 ano e inferior ou igual a 4 anos deverão ser transportadas na chamada "cadeirinha". Quem tem mais de 4 anos e menos ou 7 anos e meio completos deve utilizar o "assento de elevação". As crianças com idade superior a 7 anos e meio e inferior ou igual a 10 anos precisam utilizar o cinto de segurança do veículo.

De acordo com Ingrid Stammer, da organização não-governamental Criança Segura, o uso do dispositivo aumenta a chance de a criança escapar de um acidente. "O cinto de segurança do carro não foi projetado para crianças e sim para indivíduos que tenham a partir de 1,45 m de altura. As cadeirinhas levam em consideração a fragilidade do corpo da criança e suas fases de desenvolvimento, podendo garantir até 71% de chance de sobrevida no momento de um acidente", afirmou.

Redação Terra