
Atualizada às 02h58 Élcio Braga
Dados preliminares apresentados na quinta-feira pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que, no Rio de Janeiro, o número de mortes no trânsito caiu 57% entre 19 de junho e 22 de julho, comparado ao mesmo período no ano passado. Os reflexos se estenderam aos crimes comuns: queda de 46,9%.
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No entanto, a relação direta da queda da criminalidade com o período de abstinência de muitos motoristas é vista com cautela por especialistas. Muitos defendem um período maior para comparações. Mas é difícil esconder o contentamento com os novos números do ISP, com base em microdados dos registros de ocorrências das delegacias.
De acordo com o ISP, morreram menos 151 pessoas no trânsito e houve menos 975 feridos. No mesmo período, ocorreram menos 226 assassinatos. "A Lei Seca vai passar a ser conhecida como Lei da Vida. As pessoas estão deixando de morrer. Bastava que uma vida fosse poupada que o esforço já teria sido válido", comemora Fernando Diniz, que perdeu um filho em acidente e hoje faz parte da Associação Trânsito Amigo.
A Lei Seca provocou queda em vários outros indicativos da segurança pública. As tentativas de homicídio caíram 19%, as rixas, 27,3%, e os registros e brigas com agressão, 27,2%. "Os especialistas em segurança pública já haviam avisado que a queda no consumo do álcool possibilita a queda da violência", observa Diniz.
Os números do ISP mostram crescimento das estatísticas quando se refere ao rigor com o motorista. As multas por embriaguez ao volante cresceram 211,1%: 27 no ano passado contra 84 este ano. Há números positivos, também: ano passado 23 pessoas foram surpreendidas sem a habilitação. Este ano, só duas.
Para o especialista em trânsito Milton Corrêa da Costa, a nova legislação veio para mudar uma cultura de violência nas estradas. Ele prevê uma cadeia de benefícios com a nova lei. "O custo dos acidentes diminuirá para o País. Com a diminuição da violência, haverá menos processos nas varas criminais, os hospitais ficarão desafogados, e se economizará dinheiro do Sistema Único de Saúde", diz ele, que há 14 anos julga as barbeiragens na Junta Administrativa de Recursos de Infrações (Jari).
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