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Transição
Sexta, 20 de dezembro de 2002, 12h27  Atualizada às 21h27
Lula anuncia 4 ministros do PT e deixa PMDB fora
 
Agência Brasil
Lula entre os futuros ministros Dilma Roussef e Cristovam Buarque
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O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva anunciou hoje quatro novos ministros e um secretário de Estado, todos do PT. Depois do anúncio, o PMDB divulgou uma nota dsecartando acordo para integrar o futuro governo.

Os novos escolhidos de Lula são Cristovam Buarque, para o Ministério da Educação, Jaques Wagner, para o Trabalho, Dilma Roussef, para Minas e Energia, e Humberto Costa, para o Ministério da Saúde.

Além dos novos ministros, Lula indicou o deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG) para a Secretaria de Estado de Direitos Humanos.

Segundo políticos peemedebistas, o que inviabilizou o acordo foram divergências internas do PT. Na última quinta-feira, o futuro ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu (PT), e o presidente nacional do PMDB, Michel Temer, anunciaram que os dois partidos tinham chegado a uma proposta comum.

Seriam oferecidos ao PMDB dois ministérios, de Minas e Energia e de Integração Nacional. Nesta sexta-feira, Dirceu afirmou que os demais ministérios serão anunciados na próxima segunda-feira, mas sem a participação de peemedebistas.

O futuro ministro indicou, contudo, que os dois partidos não romperam as relações institucionais e devem acertar a composição das mesas da Câmara e do Senado.

Os escolhidos:

Cristovam Buarque, que se notabilizou por ser o primeiro administrador público a instalar em larga escala o programa Bolsa Escola, não foi novidade. Buarque disse que vai dedicar toda sua energia para desenvolver os projetos do ministério.

Ele afirmou que há no Brasil inteiro uma mania por educação. "É preciso que o povo sinta orgulho da educação". Buarque ressalta que vai procurar deixar a marca de Lula na Universidade brasileira, que precisa de apoio e soluções emergenciais.

Também não houve surpresa na indicação do deputado federal Jaques Wagner (PT-BA) era para o Ministério do Trabalho. Ele afirmou que a pasta será simbólica para o governo.

"Esse é o mundo do trabalho e onde sempre se sonhou em condições melhores para todos", completando que "a geração do emprego e de renda é uma das funções mais importantes". Wagner concluiu dizendo que o Ministério do Trabalho será uma porta aberta ao diálogo.

O médico psiquiatra e clínico geral pernambucano Humberto Costa, futuro ministro da Saúde, já foi secretário de saúde da prefeitura de Recife no atual governo. Em seu discurso, Costa disse que a construção da saúde de uma população exige uma série de ações integradas que resultam na qualidade de vida.

Disse ainda que vai administrar olhando o Brasil como um todo, buscando ampliar o acesso das pessoas à saúde básica, melhorando a qualidade do atendimento, fazendo valer os direitos do cidadão e o acesso a uma política farmacêutica adequada.

A segunda mulher indicada para o ministério - a primeira foi Marina Silva para o Meio Ambiente, a economista e secretária de Energia, Minas e Comunicação do Rio Grande do Sul, Dilma Rousseff, disse que assumirá uma área crucial para o desenvolvimento do País e para os programas de governo, como o Fome Zero.

"É preciso construir uma situação de estabilidade onde haja investimentos e a universalização dos serviços de energia", disse.

Em seu discurso, o futuro secretário de Estado para Direitos Humanos, Nilmário Miranda, disse que a cara do presidente Lula é a cara dos direitos humanos. Afirmou que haverá uma continuidade no trabalho desenvolvido pelo atual secretário, Paulo Sérgio Pinheiro.

Lula disse que completará o anúncio da equipe que irá compor seu Ministério na próxima segunda-feira, em Brasília. "Todos os outros já estão escolhidos. Mas como ainda não deu tempo de falar com eles, irei fazer o anúncio oficial na próxima segunda-feira".

Lula disse, ainda, que não cedeu a pressões. "Estive à vontade para montar o governo. Disse que não iria me deixar levar por pressão e assim foi. Estou tentando retratar a pluralidade dos partidos que me apoiaram nas eleições", completou.
 

Redação Terra