NY Times Magazine

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Sexta, 14 de dezembro de 2007, 17h22 Atualizada às 17h22

Extintor "fashion" ganha prêmios nos EUA

Não muito tempo atrás, a rede de lojas Home Depot colocou à venda por US$ 25 um novo modelo de extintor de incêndio que não se parecia com um extintor de incêndio. Branco, macio ao toque e parecido com um processador de alimentos, o produto "é atraente o bastante para manter visível", dizia um panfleto de venda distribuído na loja.

No começo do ano, a Sociedade dos Designers Industriais Norte-Americanos chegou à mesma conclusão, quando concedeu ao extintor, vendido com a marca HomeHero, um de seus principais prêmios. Seguindo seu procedimento usual, os juízes da organização elogiaram tanto as qualidades estéticas quanto as funcionais do produto.

O texto do comunicado que acompanhava a concessão do prêmio de excelência em design internacional conquistado pelo HomeHero afirmava que o produto é mais fácil de usar que um extintor convencional.

"O mais importante", afirmava o texto em seu último parágrafo, era o fato de que sua aparência "fashion" significava que "os proprietários de residências não vão querer manter o HomeHero escondido, o que garante que ele poderá ser localizado para uso em prazo de apenas alguns segundos, em uma função na qual segundos fazem toda diferença".

Os designers industriais passam o tempo todo alegando que não são apenas estilistas; fazer bem o trabalho que realizam significa produzir objetos melhores, e não apenas mais bonitos. Assim, o fato de que os jurados do concurso tenham definido a aparência do produto como o traço mais importante de um equipamento de segurança doméstica decerto atrai atenção.

Peter Arnell, fundador do Arnell Group, uma empresa de design e marketing que criou o HomeHero, certamente não desconsidera a importância do estilo. Os extintores comuns têm todos a mesma cara há 100 anos, explica, e "são intrusivos demais, feios e nada conducentes a uma experiência agradável, se contrastados à estética de uma cozinha".

As pesquisas internas de sua empresa, desenvolvidas para confirmar a "intuição bem informada" que resultou na proposta do extintor, "descobriram que, se as pessoas tinham extintores de incêndio em casa, não sabiam onde eles estavam guardados".

Assim, resolver o problema da feiúra se tornou prioridade. De fato, continua a ser . No momento, a empresa está trabalhando em revestimentos diferenciados para o HomeHero, que permitiriam que os usuários os personalizassem de acordo com a decoração de suas casas.

"As pessoas gostam disso", diz Arnell. "Normalmente as coisas do mundo do design tendem a ser esteticamente agradáveis , mas elas não tendem a prestar grandes serviços nas vidas dos consumidores".

Mais recentemente, Prasad Boradkar, professor de design na Universidade Estadual do Arizona e membro do painel de jurados do prêmio de design deste ano, diz ter percebido mais profissionais e estudantes de design posicionando o estilo como uma forma de "sustentabilidade" - ou seja, se o produto for bonito , há menos chance de que as pessoas o joguem no lixo.

Nos termos dessa teoria, o estilo puro não só evita a crítica de que gera um problema de consumo de supérfluos como se torna na verdade a solução desse problema. É claro, acrescenta Boradkar, que os designers sabem que esse tipo de alegação não será levado a sério a menos que haja provas substanciosas no mercado.

E é esse o argumento de design que se aplica ao HomeHero: estética agravável pode ser também virtuosa.

No caso do extintor, algumas pessoas imaginaram se não seria arriscado mudar a forma e a cor de algo que deve ser reconhecido instantaneamente em caso de emergência. "O que é melhor?", responde Arnell retoricamente. "Algo que será mais comentado do que qualquer outro objeto da cozinha, o mais novo e bonito produto capaz de salvar sua família, um objeto de forma totalmente nova que claramente aponta o caminho do futuro para os extintores? Ou algo que fica escondido e ninguém sabe onde encontrar?"

Dada a atenção que o design do Home Hero conquistou, não admira que Arnell diga que o produto está vendendo bem. Mas até agora houve poucos exemplos de casos reais de incêndio em que o extintor estivesse presente. (É interessante apontar que os jurados do concurso anual de design da associação norte-americana de designers e da revista Business Week não experimentam os produtos , e nem vêem exemplares físicos ; o julgamento se baseia em materiais ilustrativos fornecidos pelos concorrentes.)

É difícil encontrar dados independentes sobre a seriedade da crise provocada pela feiúra dos extintores; uma especialista em extintores da Associação Nacional de Proteção contra Incêndios me disse que jamais tinha ouvido falar da questão (ainda que tenha acrescentado que, pessoalmente, apreciava a idéia de um extintor de incêndio de aparência elegante).

Mas, de acordo com diversas estimativas, cerca de metade dos domicílios dos Estados Unidos não têm extintores, e parece plausível imaginar que os compradores do HomeHero incluirão bom número de representantes desse grupo de norte-americanos. Talvez, portanto, a virtude maior do estilo seja o agito que ele causa "seu" valor de divulgação - não nos domicílios, mas no mercado.

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