Der Spiegel

Der Spiegel

Domingo, 7 de outubro de 2007, 15h11

Oktoberfest: muitos euros nas barracas de cerveja

A Oktoberfest de Munique, na Alemanha, conhecida localmente como "Wiesn" devido ao seu local, em Theresienwiese, voltou com força total, junto aos jovens participantes e aos patrocinadores igualmente. O festival se tornou um evento de um bilhão de euros que atrai celebridades e 6,5 milhões de participantes.

» Veja fotos das gatas da festa

Pergunte a Sepp Krätz, que dirige a Hippodrom, uma das barracas da feira anual Oktoberfest, em Munique, como conseguir uma vaga em uma das barracas do festival e ele responderá, com uma risada simpática, que é impossível.

Todos os lugares em sua barraca estão reservados desde abril - lotação absoluta, total. Ele insiste em que não resta um assento na casa. "Veja com seus próprios olhos", diz Krätz, apontando para as multidões que ocupam a barraca decorada festivamente, uma tradição do festival desde 1902. Às 14h de um dia de trabalho, há 3,2 mil convidados trocando empurrões nos bancos da barraca.

O celular de Krätz toca e ele o tira do bolso de seu traje tradicional bávaro, feito de camurça. "Oi, Doreen, tudo bem?", responde. "Claro que eu te vi na Playboy. Magnífica". Bastam 10 minutos para que a modelo e seu grupo de 10 pessoas consigam mesa. "Ela é uma boa menina, aliás", diz Krätz. O mais importante, claro, é o fato de que Doreen seja uma celebridade - uma estrela de pequena magnitude, talvez, mas celebridade mesmo assim.

Celebridades são a mais importante moeda de troca no maior festival do mundo. Elas servem como lubrificante para manter ativa a máquina de festa da Oktoberfest ¿ da abertura até a madrugada -, ao longo de 16 dias. As pessoas comuns visitam a Theresienwiese de Munique em multidões, na esperança de um vislumbre de celebridades como o grande campeão de tênis Boris Becker e sua atual namorada.

Negócio de um bilhão de euros
Por mais antiquado e rústico que pareça o evento, na verdade se trata de um espetáculo organizado com grande eficiência, uma verdadeira Oktoberfest, Inc. No ano passado, o festival atraiu o recorde de 6,5 milhões de participantes, e eles consumiram 6,9 milhões de litros de cerveja, 58 mil litros de vinho, perto de 500 mil frangos assados e 102 bois.

A orgia da cerveja de 2006 resultou em faturamento da ordem de 955 milhões de euros (US$ 1,35 bilhão). Do total, 449 milhões de euros vieram do festival em si, 301 milhões de euros das despesas de hospedagem de visitantes vindos de fora da cidade e 205 milhões de euros da venda de comida e de serviços de transporte, bem como das compras dos turistas. A expectativa é de que a Oktoberfest deste ano registre faturamento da ordem de um bilhão de euros.

Nos últimos anos, o festival descartou sua imagem tradicional e voltou a estar na moda, especialmente junto a uma geração mais jovem. Por volta de 60% dos visitantes têm menos de 30 anos. A nova geração demonstra um entusiasmo que beira o fanatismo no que tange a usar a roupa tradicional bávara, composta por meias até os joelhos e, para os homens, lederhosen (calções tradicionais de couro, usados com suspensórios), bem como sapatos quadradões. As mulheres usam dirndls, os vestidos rodados característicos da região, acompanhados por aventais e blusas de mangas bufantes que erguem muito os seios, a ponto de torná-las parecidas a um dos bolinhos servidos na Oktoberfest.

Mantendo os anunciantes sob controle
Esse estimulante ambiente também desperta os desejos das grandes empresas, cujas marcas não hesitariam em matar pela oportunidade de anunciar no evento, visto como cult. De fato, de muitas maneiras se poderia dizer que a maioria das mesas do festival foram arrematadas por empresas, já que os empregadores da região tradicionalmente compram ingressos em massa para convidar seus funcionários e parceiros de negócios de todo o mundo a usar suas mesas reservadas no Wiesn. A lenda dispõe que muitos grandes contratos terminaram selados em volta de uma mesa ocupada por canecas de cerveja e carne de boi assada no espeto.

Os profissionais de relações públicas, ansiosos por aproveitar o apelo da Oktoberfest como veículo de promoção, sonham com a criação de lounges em barracas recobertas de logotipos e marcas de empresas, com lançamentos de produtos e entrevistas coletivas. Mas isso não vai acontecer, pelo menos enquanto Gabriele Weishäupl tiver algum poder sobre o assunto. Como gerente geral do Escritório de Turismo de Munique, Weishäupl responde pela organização da Oktoberfest, e sua missão inclui garantir que o festival continue a ser não comercial. De fato, a seção 42 do regulamento do evento define uma estrita proibição a eventos promocionais, publicidade, entrevistas coletivas e desfiles de moda.

Weishäupl reprimiu passadas tentativas de comercializar a Oktoberfest, especialmente se levarmos em conta a maneira pela qual muita gente conseguiu contornar as regras nos últimos anos. A herdeira Paris Hilton tentou divulgar vinho prosecco em latas; Verona Pooth, uma personalidade do setor de entretenimento alemão, organizou um desfile de moda dirndl; e a presidente da agência de locação de automóveis Sixt colocou um BMW cercado de dançarinas de samba na barraca em que ela estava realizando o tradicional evento ¿Damenwiesn¿ (wiesn das damas). Tudo isso agora está proibido, e por isso a Sixt cancelou o seu evento.

Mas nem todos os eventos patrocinados por empresas são tão exagerados, como demonstrou Wolfgang Bierlein, diretor executivo da Tiffany¿s na Alemanha, ao realizar o tradicional café da manhã que sua empresa promove na loja de Munique, nos primeiros dias da Oktoberfest. Wolfgang Armbrecht, que comanda a marca BMW em Munique, organiza um concurso de tiro para os parceiros de negócios do grupo na Armbrustschützenzelt (barraca dos atiradores com bestas), e os amantes dos charutos podem se acomodar e relaxar no canto que a Davidoff patrocina na barraca de Krätz. Mas essas são as exceções. Outros patrocinadores empresariais têm de se limitar a enfeitar os guardanapos de papel e os canecos de cerveja com seus logotipos.
  • Imprima esta notícia
  • Envie esta notícia por e-mail
AFP A A "orgia" da cerveja de 2006 resultou em faturamento da ordem de US$ 1,35 bilhão

Busca

Busque outras notícias no Terra: