Der Spiegel

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Sábado, 19 de maio de 2007, 09h17

Pesquisa: Antártico está saturado de carbono

O oceano Antártico está quase saturado de dióxido de carbono, e pode perder sua capacidade de mitigar o aquecimento global, informam novas pesquisas.

Quando bombeamos toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera a cada dia, pelo menos sabemos que é possível contar com os confiáveis "depósitos de carbono" - florestas e oceanos - para absorver parte do problema, certo? Não tanto quanto imaginávamos, se as pesquisas mais recentes sobre o assunto procedem. Parte da água dos mares mundiais, que é vista como grande elemento de absorção das emissões de dióxido de carbono, está saturada com o gás, o que faz com que volume maior do subproduto das emissões se mantenha na atmosfera.

Pesquisadores cujo trabalho foi publicado pela revista Science afirmam que pelo menos uma grande área oceânica, a do oceano Antártico, está tão sobrecarregada de dióxido de carbono que a capacidade de absorção do gás está praticamente esgotada na região. O Oceano Antártico responde, sozinho, por 15% da capacidade mundial de absorção de carbono.

Apenas metade do dióxido de carbono emitido no mundo permanece na atmosfera. O restante é absorvido por depósitos de carbono, normalmente vastas extensões de água ou vegetais capazes de reter ou processar o dióxido de carbono de maneira que o exclua da equação do aquecimento global. Os depósitos de carbono e sua capacidade de retenção embasam o conceito de compensação de emissões, sob o qual uma pessoa pode pagar pelo plantio de árvores para compensar as emissões de carbono pelas quais ela é responsável.

O declínio da capacidade de absorção de carbono do oceano Antártico pode gerar futura elevação no nível atmosférico de dióxido de carbono, e assim acelerar o aquecimento global. Os cientistas especializados em clima previram que isso viria a acontecer. O problema é que esteja acontecendo agora, 40 anos antes do previsto.

"Nós acreditávamos que seríamos capazes de detectar esse tipo de tendência apenas na segunda metade deste século, digamos, a partir de 2050", afirmou Corrine Le Quere, a responsável pelo estudo publicado na Science, em entrevista à agência de notícias Reuters. Os dados coligidos entre 1981 e 2004, no entanto, demonstram até que ponto a água está saturada de dióxido de carbono, e já está pelo menos desde os anos 1980. "Por isso, considero essa tendência bastante alarmante", afirmou Le Quere.

Por que a mudança está acontecendo agora? A causa é o vento, segundo Le Quere. Os ventos mais intensos dos últimos 50 anos varrem o oceano Antártico e dragam o carbono de origem natural encontrado no fundo do oceano para a superfície, onde se concentra o carbono causado artificialmente. A superfície do oceano se satura de dióxido de carbono e pára de absorver o produto da atmosfera.

"Desde o começo da revolução industrial, os oceanos do mundo absorveram cerca de um quarto dos 500 bilhões de t de carbono emitidas na atmosfera por ação humana", diz Chris Ripley, da Central de Pesquisa Antártica do Reino Unido. "A possibilidade de que, em um mundo mais quente, o oceano Antártico, o mais amplo depósito oceânico de carbono, esteja perdendo sua capacidade de absorção, certamente causa de preocupação".

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