Ministros russos revelaram um plano grandioso para escavar um túnel sob o Estreito de Bering, para unir Sibéria e Alasca e melhorar o sistema de transporte de petróleo e gás natural entre a Rússia e os Estados Unidos. O ambicioso projeto também estabeleceria a intrigante possibilidade de uma conexão ferroviária que permitiria viagens de Nova York à Europa, via Ásia.
O governo russo informou a repórteres em Moscou esta semana que apoiaria um esquema de US$ 65 bilhões, proposto por um consórcio de empresas russas, para a construção do mais longo túnel do mundo ¿comprimento estimado em 102 quilômetros- a fim de ligar as vastas reservas de energia da Rússia aos mercados norte-americanos. O plano inclui uma linha ferroviária com trens de alta velocidade, gasodutos e oleodutos, bem como uma rede de cabos de fibra óptica.
Um novo corredor ferroviário que atravessaria a província canadense da Colúmbia Britânica permitiria integrar o túnel ao sistema ferroviário dos Estados Unidos, enquanto um corredor que atravessaria a Sibéria permitiria conectá-lo às ferrovias russas. O túnel propiciaria a perspectiva de um percurso ferroviário contínuo que cobriria três quartos do mundo ¿de Nova York a Londres via Canadá e Rússia.
O plano seria apresentado a funcionários norte-americanos e canadenses na próxima terça-feira, em uma conferência chamada "Megaprojetos para o Oriente Russo", a ser realizada em Moscou. "O projeto daria à região oriental da Rússia uma chance de se tornar a principal área industrial do país, e um dos mais importantes centros de trânsito de produtos da economia mundial", afirma um comunicado que porta os logotipos do monopólio estatal de oleodutos e gasodutos Transneft, do grupo de energia elétrica RAO United Energy Systems e do Ministério do Comércio Exterior russo, entre outros.
Só há um pequeno problema: algumas pessoas poderosas do país parecem ter ficado completamente desinformadas a respeito. "Jamais ouvi falar desse plano", disse Sergey Grigoryev, vice-presidente da Transneft, de acordo com o "Times", de Londres. "Primeiro precisamos desenvolver campos no leste da Sibéria".
Pôquer energético com a Europa?
Alguns especialistas classificaram a idéia como blefe destinado a assustar os países europeus e força-los a assinar contratos de compra de gás natural e petróleo russo em longo prazo.
"A Rússia vem dizendo à Europa que, caso os europeus não gostem dela, sempre pode vender seu gás natural à China", afirmou Derek Brower, que cobre o setor de energia para a revista londrina "Petroleum Economist". "Mas para os russos é difícil até abastecer a China, o mercado de energia que mais cresce no mundo, quanto mais falar no que soa como um projeto de enorme dificuldade tecnológica e custo gigantesco. A idéia me parece completamente absurda".
Um simpatizante do projeto do lado norte-americano é Walter Joseph Hickel, ex-governador do Alasca, que co-presidirá a conferência de Moscou. Mas a Administração Federal das Ferrovias, em Washington, não está diretamente envolvida nas negociações, disse Warren Flatau, seu porta-voz, à agência de notícias Bloomberg.
Der Spiegel
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