Atualizada às 10h36
Três meses depois que a Ryanair, a maior das linhas aéreas econômicas européias, negou interesse em rotas para os Estados Unidos, Michael O´Leary, presidente-executivo do grupo, anunciou uma idéia para uma nova linha aérea que iniciaria operações transatlânticas em 2010 e com passagens a preços que começariam em apenas 10 euros para percursos só de ida.
"Nós fomos abordados por alguns aeroportos nos Estados Unidos que estão ávidos por iniciar serviços de longa distância e tarifas baixas, e estamos trabalhando em planos para começar a operar rotas através do Atlântico", disse O´Leary a repórteres durante um vôo de Dublin à Alemanha. Ele recebeu os jornalistas no balcão de embarque com um novo e bem pensado slogan, "passagens por 10 euros para Nova York!".
O preço básico de uma passagem aérea barata é sempre mencionado sem inclusão de impostos e tarifas adicionais, e esses custos podem se acumular rapidamente. O´Leary disse que a nova empresa tentaria realizar lucros com vendas de bebidas, alimentos, produtos de tarifa zero e serviços de entretenimento em vôo - como a Ryanair já faz-, e que ela ofereceria um serviço de luxo com passagens a preços superiores às de linhas aéreas que oferecem serviço pleno, como a British Airways.
Em janeiro passado, a diretora de vendas e marketing da Ryanair na Alemanha, Katja Zarbock, garantiu aos jornalistas que a empresa não tinha interesse em investir em rotas de longa distância. A declaração não foi uma mentira, mas apenas por motivos técnicos. O´Leary disse que as novas rotas seriam operadas por uma nova linha aérea irmã ou associada da Ryanair, e que não seria usado dinheiro da Ryanair para constitui-la.
"Há muitos investidores interessados em uma linha aérea operando rotas transatlânticas a baixo preço, e dinheiro é a última coisa de que vamos precisar", disse.
A nova linha aérea teria uma frota de entre 30 e 50 aparelhos de longo alcance, e seu sucesso depende da redução nos preços desses modelos dentro dos próximos dois anos. Também depende da implementação do acordo de "céus abertos" assinados entre Europa e Estados Unidos no mês passado, que abriria mercados a novas empresas e relaxaria as restrições quanto aos destinos das linhas aéreas internacionais.
O´Leary anunciou planos para deixar a presidência executiva da Ryanair nos próximos três anos, e disse também que não seria o presidente-executivo da nova empresa, ainda que deva ter "alguma influência pessoal na maneira pela qual ela será gerida".
No terceiro trimestre de 2006,m a Ryanair anunciou alta de 30% em seus lucros, ante o período em 2005. O´Leary disse, então, que a Ryanair se havia beneficiado das taxas "excessivas e injustificadas" impostas pelas concorrentes aos passageiros para compensar emissões de gases responsáveis pelo efeito-estufa nos aviões.
Der Spiegel
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