Conhecido como nanofibra de grafite, o novo material seria muito mais leve do que os materiais densos empregados na Terra como escudos contra radiação em usinas nucleares.
Isso é bom, porque radiação é um dos maiores perigos para os envolvidos em missões especiais de longa distância. Surtos intensos de clarões solares podem causar a morte rapidamente. Mas até mesmo os níveis de radiação de fundo normais no espaço interplanetário são elevados o suficiente para a acarretar perigo, inclusive um risco de câncer mais elevado do que o normal.
Embora sistemas de proteção adequados possam ser produzidos facilmente com o uso de tecnologia existente ¿alguns metros de concreto bastariam-, esse tipo de material é pesado demais para ser lançado ao espaço.
"Se não sairmos do chão, nada mais acontece", disse Ram Tripathi, pesquisador científico sênior no Centro de Pesquisa Langley, da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa) norte-americana, em uma reunião da Sociedade Norte-Americana de Física, em Denver, no começo do mês.Essa espinhosa questão de segurança não pode ser resolvida da maneira adotada na Estação Espacial Internacional ou nas missões do Programa Apollo à Lua, no caso de uma missão a Marte, ele acrescentou.
As missões Apollo, ele diz, "foram saltos curtos", e por isso a exposição à radiação espacial de fundo não era longa o bastante para atingir níveis perigosos.
E na estação espacial os astronautas estão perto o bastante da Terra para que o campo magnético do planeta os proteja contra os piores tipos de radiação.
Em ocasiões nas quais clarões solares de alta intensidade e curta duração sobrepujam essa proteção, os astronautas podem se proteger em um abrigo contra radiação, de espaço limitado o bastante para não aumentar demais o peso da estação especial.
Mas no espaço profundo a radiação toma a forma de partículas maiores, e mais difíceis de deter. Pior, o tipo errado de escudo pode na verdade tornar mais severos os riscos, diz Tripathi.
Isso se deve ao fato de que as partículas que atingem o veículo não se arremessam contra o escudo e param, à maneira de balas disparadas contra um balde cheio de areia. Em lugar disso, as partículas colidem com os átomos do material de proteção, como tacos de bilhar atingido uma bola.
A radiação pode ter nível de energia tão elevado que esmaga os átomos protetores. Esses microscópicos "estilhaços", caso atravessem a proteção totalmente, são tão perigosos para a tripulação da nave quanto as partículas originais.
Trata-se de um problema sério para os escudos produzidos com os materiais convencionais de construção de espaçonaves, como o alumínio, cujos átomos são relativamente pesados e produzem estilhaços potentes. "É preciso um novo material", diz Tripathi. "Não queremos um material pesado que produza detritos".
Ele acredita que a melhor escolha seja o mais leve de todos os átomos: o hidrogênio. Evidentemente, não é possível construir fuselagens de naves espaciais com hidrogênio. Mas se pode construir materiais superfortes com nanofibras de carbono, e depois enriquecê-los com hidrogênio aprisionado. Tripathi se recusou a especular sobre o volume desse material que seria necessário, ou sobre o peso que poderia ter. Isso depende da missão, segundo o cientista.
Em trajetórias curtas, ele aponta, os astronautas podem suportar ambientes apertados. Mas em viagens mais longas, eles precisarão de mais espaço para trabalhar, dormir e relaxar.
"Para isso, é necessário um escudo maior, e mais pesado", diz. Outros especialistas também estão começando a compreender que novas formas de proteção contra a radiação são uma necessidade importante em vôos espaciais longos.
Lidar com a radiação será "uma grande dor de cabeça", diz Mary Rosenblum, escritora de ficção científica que pesquisou o assunto extensamente para "Horizons", um romance publicado em 2006.
Os seres humanos são muito mais sensíveis à radiação do que as sondas robotizadas da Nasa, e isso requer mais proteção. Rosenbum está entusiasmada com as pesquisas de Tripathi.
"Proteção efetiva", diz, "é a mais importante necessidade".
National Geographic
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