Se nada for feito, os animais terminarão por sobrecarregar a estrutura de muitos dos parques públicos e reservas privadas do país, disseram funcionários do governo e de organizações de conservação da fauna. Marthinus van Schalkwyk, ministro dos Assuntos Ambientais e Turismo da África do Sul, recentemente anunciou a decisão, no Parque Nacional de Elefantes de Addo, perto da cidade de Port Elizabeth.
Van Schalkwyk insistiu que o sacrifício de animais deveria ser utilizado apenas como último recurso. "O sacrifício pode ser usado como maneira de reduzir a população de elefantes, sujeito às considerações devidas e comparado a todas as opções disponíveis de controle no número de animais", ele afirmou. Entre essas outras opções estão propostas de transferir os elefantes a áreas menos ocupadas, expandir o território dos parques e administrar anticoncepcionais aos animais - todas as quais são dispendiosas, difíceis de implementar e potencialmente causa de outras complicações. Para começar, como afirma a proposta, o uso de anticoncepcionais por elefantes "ainda não é plenamente compreendido em suas implicações sociais, fisiológicas e emocionais de longo prazo, e os atuais métodos contraceptivos são muito invasivos e deveriam ser usados com cautela".
O gabinete da África do Sul já aprovou as "normas e padrões de administração da população de elefantes", em caráter provisório. O documento agora estará aberto a comentários do público por 60 dias, antes de ser implementado oficialmente. Ainda que alguns defensores da fauna lamentem como desumana a proposta de sacrifício, outros receberam favoravelmente o plano do governo para os elefantes, e chegaram a classificar a proposta como um agridoce sinal de sucesso.
"Nossos esforços de conservação tiveram sucesso demais", disse Graham Kerley, diretor do Centro de Conservação da Ecologia Africana, na Universidade Metropolitana Nelson Mandela, África do Sul. A África do Sul deixou de sacrificar elefantes em 1995, em resposta a pressões de grupos ecológicos e de defesa dos direitos dos animais. De lá para cá, a população de elefantes do país mais que dobrou, para quase 20 mil.
Ian Whyte, gerente do programa de mamíferos de grande porte no Parque Nacional Kruger, a principal reserva de fauna sul-africana, diz que, quando o sacrifício de elefantes foi suspenso, 12 anos atrás, o parque abrigava cerca de oito mil elefantes - mil exemplares a mais do que a população ideal, na época. Agora, a população de elefantes no Kruger está se aproximando dos 14 mil. Quando o Parque Nacional de Elefantes de Addo, onde a proposta foi anunciada, foi estabelecido, em 1931, o número de elefantes da região havia caído de milhares a apenas 25. Destes, 11 foram colocados sob a proteção do parque. Agora, o parque de Addo, como o Kruger e outros parques sul-africanos, está sofrendo pressão devido ao número exagerado de elefantes, diz Kerley.
A WWF South Africa e a Associação de Administradores e Proprietários de Elefantes (EMOA) sul-africana concordam em que a população de elefantes é grande demais em muitos dos parques e reservas do país. "Em alguns casos, os elefantes são tão abundantes que estão causando problemas, como a destruição do habitat porque eles pastam em excesso, e danos às fontes de água", afirmam as organizações de conservação em comunicado conjunto. Isso pode causar degradação ambiental, reduzir os alimentos e a água disponíveis para os elefantes e destruir o habitat de outras espécies de fauna.
"A densidade elevada de elefantes pode também gerar conflitos mais intensos entre elefantes e seres humanos, com ataques dos paquidermes a plantações e destruição de infra-estrutura de aldeias e de locais de trabalho", acrescentam a WWF e a EMOA.
O plano de administração da população de elefantes surgiu depois de extensas consultas com os grupos de interesses envolvidos. Baseia-se em larga medida em propostas de uma "mesa redonda científica", formada por especialistas e convocada por Van Schalkwyk. "Ouvimos numerosas discussões sobre os méritos e deméritos de diversas opções de administração", declarou Van Schalkwyk ao anunciar o plano de sacrifício. "Algumas, como a contracepção e o sacrifício, eu teria preferido não considerar, em termos pessoais. Mas estou convencido de que elas têm um papel a exercer, sob circunstâncias diferentes".
Rob Little, diretor da WWF South Africa, concorda cautelosamente com a afirmação do ministro. "Ainda que o World Wildlife Fund não defenda o sacrifício como alternativa preferencial de administração de populações animais, reconhecemos que se trata de uma opção aceitável, e reiteramos nossa opinião de que todas as demais alternativas deveriam ser consideradas primeiro", afirmou Little no comunicado conjunto de sua organização da e da EMOA.
Havia esperanças de que o surto de crescimento na população de elefantes da África do Sul se reduzisse naturalmente, à medida que a comida e o habitat disponível para os elefantes se tornassem mais escassos. "Mas, infelizmente, se tornou claro agora que não podemos depender desses fatores para regular o número de animais", afirma Kerley. "É preciso intervir, porque de outra maneira nada restará".
National Geographic
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