NY Times Magazine

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Sexta, 2 de março de 2007, 14h31 Atualizada às 14h30

Maior shopping dos EUA vira grife para americanos

Na metade do ano, o Mall of America completará seu 15° aniversário. Continua a ser o maior shopping center dos Estados Unidos, com área próxima dos 400 mil metros quadrados. Mas não é o maior do mundo. Na Ásia, há diversos shopping centers consideravelmente maiores, com o South China Mall, em Dongguan, China, ocupando a liderança no momento. Sua área é de 850 mil metros quadrados. O site do Mall of America oferece diversos fatos e números sobre sua espantosa imensidão. O centro abriga mais de 500 lojas e há 20 mil vagas de estacionamento.

Outra informação é que "258 Estátuas da Liberdade caberiam deitadas dentro do edifício". Localizado a cinco minutos de carro do aeroporto internacional de Minneapolis-St. Paul, o Mall of America se descreve como "um dos destinos turísticos mais visitados do mundo" e "uma grande marca norte-americana". Uma prova que ajuda a sustentar essas alegações é a venda de produtos que promovem o shopping center, como camisetas, canecas, chaveiros e brinquedos de pelúcia.

Daniel Jasper, diretor de relações públicas do shopping center, diz que os produtos portadores da estrela que serve como logotipo ao empreendimento e exibindo suas cores ¿vermelho, azul e branco- vendem mais, e que as camisetas são especialmente populares. Mais de dois milhões foram vendidas, a maioria a turistas interessados em levar para casa um presente ou uma recordação da visita a um edifício muito, muito grande e repleto de lojas. Como os visitantes "de qualquer outra atração", diz ele, "as pessoas querem levar um pedaço das férias para casa com elas".

De todos os visitantes do Mall of America, Rosemary Williams tem uma perspectiva seguramente única sobre o local e, por falta de termo melhor, sua marca. No ano passado, Williams, artista plástica e professora assistente de novas mídias na Universidade Estadual de St. Cloud, em Minnesota, começou a esculpir uma peça chamada "The Wall of the Mall".

A idéia era fazê-la com sacolas de compras de todas as lojas do Mall of America, o que levaria os espectadores, na palavra da artista, a "contemplar criticamente as maneiras pelas quais o consumo domina nossa paisagem física e mental". Mas ela encontrou dificuldades. Os funcionários das lojas não queriam dar sacolas de compras a alguém que não comprava nada, e, por isso, ela decidiu comprar alguma coisa em cada loja ¿e depois devolvê-la, retendo a sacola. Isso envolveu muitas visitas ao shopping center durante um período de dois meses.

Parte dos trabalhos anteriores da artista tinham o consumo como tema, e Williams se descreve como "não muito consumista". De fato, o primeiro dia de sua ousada aventura quase lhe causou náusea. A intensidade de sua reação a levou a iniciar um diário sonoro de sua viagem pelo mundo do varejo, que ela transformou em um podcast de 27 episódios (classificado como a "história da jornada solitária de uma mulher pelo Mall of America").

Em suas diferentes visitas, ela tentou contemplar a situação de pontos de vista distintos ¿em certas ocasiões comprando apenas produtos caros, em outras procurando pechinchas e em outras escolhendo produtos indicadores de declínio cultural. Ela devolveu quase tudo sem problemas, mas algumas coisas optou por reter ¿incluindo a camiseta do Mall of America adquirida em uma das três lojas que vendem apenas produtos com marca do estabelecimento.

E embora "The Wall of Mall" (exibida em Nova York e Londres nos últimos meses) continue a ser uma declaração quanto ao excesso de marcas que há no mundo, no site Williams diz que o projeto "pelo menos me ajudou a superar meu medo de compras".

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

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