A descoberta rompe um silêncio, por assim dizer, iniciado 15 anos atrás, quando pesquisadores haviam tentado pela última vez gravar o ruído das chaminés, sem resultados audíveis. As pesquisas também sugerem que peixes e outras criaturas marinhas podem usar o som para navegar pelas profundezas escuras dos mares.
"Olhando para elas, não há surpresa em que façam barulho", diz Timothy Crone, doutorando em oceanografia pela Universidade de Washington, em Seattle. "Trata-se de traços violentos da paisagem oceânica". A água se despeja das maiores e mais velozes chaminés negras oceânicas ao ritmo de cerca de 1,13 mil litros por minuto ¿ duas vezes mais intenso que o jato de água de uma mangueira de incêndio típica, e fluxo suficiente para encher uma banheira em apenas alguns segundos. Crone e seus colegas reportaram as descobertas no mês passado, no site PloS One, operado pela Biblioteca Pública de Ciências norte-americana.
A descoberta dos sons pode ajudar os cientistas a estudar de que maneira as chaminés negras respondem às marés, terremotos e erupções vulcânicas. Informações como essas, afirma Crone, são essenciais para compreender o ciclo dos produtos químicos que são expelidos da crosta terrestre para o oceano. A maioria dos instrumentos de medição do fluxo, no entanto, têm vida operacional curta quando inseridos no fluido escaldante, ácido e rico em minerais que as chaminés negras expelem. Crone imaginava que o som, se detectado poderia ser uma maneira de contornar esse problema, e por isso ele e seus colegas instalaram equipamento de gravação no fundo do mar, em profundidade de 2,2 mil metros, em um campo de chaminés negras localizado cerca de 480 quilômetros a oeste de Seattle. A equipe realizou 45 horas de gravações em uma chaminé chamada Sully e 136 em uma chaminé chamada Puffer.
"Os resultados confirmam meu palpite inicial", diz Crone. Os pesquisadores sugerem que rugido grave resulta primordialmente do fluxo de fluido pela estrutura das chaminés em si. Crone comparou o ruído ao som que se ouve quando esguichamos água de uma mangueira contra as paredes de uma casa. Além disso, os rugidos podem ser gerados à medida que o fluido quente se mistura com a água fria e passa por contração, disse Crone. O rugido aumenta e diminui de volume à medida que as marés sobem e descem, apontou o pesquisador, um fenômeno previsto nos modelos numéricos desenvolvidos anteriormente. Acredita-se que as mudanças de volume se relacionem às alterações no ritmo de fluxo.
"Talvez já tenhamos demonstrado que é possível medir o ritmo de mudança de fluxo com esse tipo de técnica", ele afirma, "mas muito mais trabalho precisa ser realizado para provar que é esse o caso". Quando os sons foram analisados em computador, os pesquisadores também detectaram um tom ressonante, talvez gerado quando o fluido se move por cavidades e protuberâncias no interior das fendas. "Isso faria com que cada chaminé negra tivesse seu som específico", diz Crone. "Para mim é difícil diferenciar entre elas, mas as criaturas que vivem lá embaixo talvez sejam capazes de distingui-las".
Crone e seus colegas especulam que peixes e outras criaturas marinhas talvez usem esses sons para navegar pela escuridão do mar profundo. "A luz do mar profundo é o som, e se há algo por lá fazendo barulho, você pode estar certo de que organismos capazes de escutar farão uso dessa informação", diz Crone. "Ela é boa demais para que a ignorem".
National Geographic
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