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O cirurgião-chefe Sharan Patil mostra imagens de Lakshmi se recuperando após operação que durou 27 horas
Se o ano de 2006 para a medicina foi marcado pelos primeiros transplantes de rosto do mundo, 2007 não foi diferente no que se refere a inovações. E nenhum tema dividiu tanto as opiniões de médicos, políticos e religiosos quanto às células-tronco. Líderes na pesquisa médica, os EUA encontraram resistência do próprio governo Bush reforçado pelo coro de setores da Igreja. O principal argumento contra era a utilização de embriões humanos para a obtenção das células.
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As células-tronco são células que possuem a capacidade de se dividir e de se transformar em outros tecidos do corpo, como ossos, nervos, músculos e sangue. Médicos acreditam que sua aplicação pode ser muito eficiente no tratamento de diversas doenças como o Mal de Alzheimer e na recuperação de pessoas com algum tipo de paralisia.
Mas em novembro uma descoberta anunciada pela revista Science colocou em cheque os protestos contra as células-tronco. Uma equipe internacional de cientistas conseguiu "reprogramar" células de pele humana para que tenham propriedades características de células-tronco embrionárias, mas aconselhou que, apesar da descoberta, ainda não seja abandonada a pesquisa com células-tronco.
O presidente dos EUA, George W. Bush, um dos declarados opositores das pesquisas comemorou a descoberta e já sinaliza com apoio parcial aos cientistas. Mas os próprios pesquisadores não estão muito otimistas. É que 2008 é anos de eleição, e apoiar os trabalhos com células-tronco poderia custar apoio das alas mais conservadoras ao Partido Republicano de Bush.
Novembro foi marcado ainda por outro desafio para uma equipe de 36 médicos da Índia. A operação da pequena Lakshmi, uma menina de 2 anos que nasceu com quatro pernas e quatro braços e que alguns indianos consideravam divina, terminou com sucesso após 27 horas. A equipe conseguiu separar a espinha dorsal que Lakhsmi compartilhava com o corpo de sua irmã gêmea, que não se desenvolveu corretamente e que ficou como uma parasita.
A alegria da família da menina foi parecida com a de Huang Chuncai. Em julho, o chinês de 31 anos passou por uma delicada cirurgia para extrair um tumor facial de 15 kg, no pior caso de neurofibromatose registrado até agora no mundo. Os médicos retiraram grande parte da massa tumoral do rosto de Huang em uma cirurgia que durou cerca de uma hora e meia.
A pressão do tumor, com uma circunferência de 97 cm, cobriu grande parte de sua face, e tanto o olho como a orelha esquerda estavam tapados pela grande massa tumoral. Huang não podia fechar a boca e há seis anos perdeu todos os dentes, o que também afetou sua capacidade de falar e comer. O chinês, de apenas 1,35 m de altura, teve sua coluna deformada devido ao peso do tumor e caminha inclinado. A postura comprometeu o sistema respiratório de Huang, e ele tinha dificuldades para respirar.
A mesma sorte ainda não teve Dede, conhecido como o homem-árvore. Ele ficou famoso ao participar de um documentário que mostrava como uma doença transformou suas mãos e pés em aglomerados de verrugas semelhantes a raízes. O ex-pescador começou a desenvolver essas verrugas ainda na adolescência, após sofrer um profundo corte no joelho. A doença limitou a vida de Dede, que perdeu a mulher e o emprego desde que as verrugas começaram a crescer sem parar.
Mas em novembro o governo da Indonésia ameaçou vetar a viagem que Dede faria aos EUA para um tratamento com um dermatologista que se interessou pelo seu caso. Mas o ministério da Saúde da Indonésia acredita que ela possa acabar em uma turnê "bizarra". "Nós não vamos dar aos médicos americanos a permissão para levar Dede aos Estados Unidos", disse a porta-voz do ministério, Lily Sriwahyuni Sulistiyowati, a um jornal local.
Redação Terra