Reinaldo Marques/Terra
Operadores trabalham na BM&F no dia da estréia das ações da empresa na Bovespa
Mesmo afetada por dois momentos de instabilidade - as crises da China e do crédito imobiliário - a Bovespa se recuperou e bateu sucessivos recordes de pontos em 2007. Em 6 de dezembro, ainda recuperando-se da crise do sub-prime, a bolsa paulista registrou seu 43º recorde histórico de fechamento no ano até então, aos 65.790 pontos. Já o dólar, embora afetado pelas duas crises, manteve uma tendência de baixa durante o ano todo.
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Não só a entrada de capitais estrangeiros no Brasil fez com que a moeda norte-americana se desvalorizasse por aqui. O dólar atingiu em 2007 seu menor patamar de valorização em décadas e bateu recorde de defasagem em relação ao euro, libra e outras moedas.
No Brasil, a subvalorização da moeda norte-americana afetou diretamente o resultado da balança comercial, que apontou aumento das importações. No ano, a balança comercial acumulava saldo positivo de US$ 34,376 bilhões até o final de outubro. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o saldo acumulado era de US$ 38,166 bilhões. As exportações ao longo do ano acumulavam alta de 16,5% em relação ao apurado no mesmo período de 2006, e as importações avançavam 29,8%.
No exterior, o dólar deixou de ser ícone de poder, e artistas passaram a receber seus cachês em euro. Agências internacionais noticiaram que personalidades como Gisele Bündchen estariam negociando seus contratos na moeda da União Européia.
A moeda abriu o ano cotada a R$ 2,132. Em cinco de abril, com a recuperação das altas de dias anteriores provocadas pelos rumores na China, o dólar já era cotado a R$ 2,032. O Banco Central atuava por meio de leilões comprando a moeda e segurando a cotação, mas em 15 de maio, pela primeira vez desde fevereiro de 2001, a divisa norte-americana fechou cotada abaixo dos R$ 2, a R$ 1,982.
Um dia depois, a agência Standard&Poor's melhorou a classificação de risco da dívida brasileira, e o dólar despencou para R$ 1,954. Em 13 de julho, a moeda norte-americana fechou uma seqüência de seis quedas consecutivas frente ao real, cotada a R$ 1,863.
Contudo, com a deflagração da crise do crédito imobiliário de risco nos EUA, no dia 15 de agosto, a moeda voltou a superar a casa dos R$ 2 após três meses de fechamentos abaixo deste patamar e, com alta de 2,27%, encerrou o dia cotada a R$ 2,031.
A partir desta data, a divisa norte-americana retomou a tendência de queda e, na semana seguinte, já voltava a ser cotada a menos de R$ 2.
O corte na taxa de juros nos Estados Unidos, em setembro, e o retorno do grande fluxo de aportes estrangeiros na Bovespa fizeram com que a trajetória de queda da moeda chegasse a R$ 1,732 em seis de novembro, o menor valor desde março de 2000.
Em outubro, o então diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo Rato, afirmou que o dólar ainda estava sobrevalorizado e precisava se depreciar mais.
Em sete de novembro, uma libra esterlina (moeda do Reino Unido) chegou à cotação mais alta em relação ao dólar em 26 anos e valia US$ 2,1052. Em 20 de novembro, o euro bateu mais um recorde histórico de valorização frente à moeda norte-americana, alcançando US$ 1,48 por euro.
Bovespa
Neste momento, os bancos passaram a rebaixar a recomendação de compra pelo papel da empresa, que, mesmo assim, passou a ser classificado como de desempenho em linha com a média do mercado.
Contudo, o troco da Petrobras veio no dia oito de novembro. A empresa já vinha acumulando bons ganhos em função da alta do petróleo no mercado internacional. Mas o anúncio de uma reserva de até oito bilhões de barris de petróleo fez com que as ações subissem 14% e o valor da empresa superasse em R$ 94 bilhões o valor de mercado da Vale.
O lançamento das ações da própria Bovespa no mercado ajudou a movimentar a bolsa de valores de São Paulo. No dia 26 de outubro, a estréia dos papéis fez com que o índice geral fechasse em alta de 3,01%, batendo mais um recorde de pontos na ocasião, aos 64.275. A ação da Bovespa Holding terminou seu primeiro dia com alta de 52%, com R$ 5,06 bilhões em negócios.
O sucesso da estréia das ações da Bovespa Holding fez com que os papéis da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) também tivessem grande procura. Em sua estréia, no dia 30 de novembro, o papel fechou com valorização de 22%. A procura foi tanta que, no início da sessão, os sistemas da bolsa travaram completamente por cerca de uma hora.