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Falta de chuvas e Bolívia geram "crise do gás"

AFP O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse, em 1º de novembro, que o consumo de gás deveria ser desestimulado O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse, em 1º de novembro, que o consumo de gás deveria ser desestimulado

Uma crise de energia voltou a afetar o País em 2007. Problemas com o abastecimento de gás natural aconteceram devido à falta de chuvas e redução do fornecimento do produto importado pela Bolívia. Com isto, além de consumidores sem o combustível para movimentar indústrias e automóveis, a Petrobras anunciou um aumento do insumo e o governo afirmou que vai estudar medidas para desestimular o consumo.

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O problema da "crise do gás", iniciada em 30 de outubro, aconteceu por um corte parcial do combustível no Rio de Janeiro e São Paulo porque a Petrobras precisou redirecionar parte do produto que fornecia para distribuidoras e postos de gasolina nestes Estados para alimentar usinas termelétricas.

O procedimento é uma obrigação da Petrobras para com o governo brasileiro. A empresa e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) têm um acordo em que a estatal brasileira é obrigada a fornecer gás natural para usinas termelétricas sempre que necessário. Estas usinas demandam o pleno fornecimento do produto principalmente quando o nível nas barragens das hidrelétricas está baixo - o que aconteceu no final de outubro.

Esta situação faz com que o preço da energia produzida pelas hidrelétricas aumente. Quando ele chega a um patamar próximo ao preço da energia produzida pelas termelétricas, a Aneel aciona (despacha) estas últimas para dividir a responsabilidade de abastecer o País.

Como as termelétricas são alimentadas por gás natural, e, segundo a Petrobras, as distribuidoras no Rio e São Paulo já consomem o combustível além da cota contratada, cabe à empresa remanejar parte do produto para as termelétricas.

O corte no Rio chegou a quase 20%. Num primeiro momento, 89 postos de combustível tiveram o fornecimento cancelado. Empresas como a Companhia Siderúrgica Nacional, a Gerdau e a Bayer também sofreram com a redução de abastecimento pela distribuidora. Porém, a Procuradoria-Geral do Estado conseguiu na Justiça restabelecer a mesma quantidade prevista em contrato.

O fornecimento de gás natural pela Companhia de Gás do Estado de São Paulo (Comgás) foi reduzido em 600 mil metros cúbicos por dia. Para solucionar o problema de fornecimento às indústrias, a Comgás negociou a substituição do gás natural pelo óleo combustível, mais caro. Neste caso, a Petrobras se comprometeu a ressarcir as empresas pela diferença.

Logo após o problema, a Petrobras iniciou uma campanha para reduzir a utilização do gás natural. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse em 1º de novembro que o consumo de gás deveria ser desestimulado. O executivo também afirmou que a empresa recorreria na Justiça contra a liminar que garantia o fornecimento normal no Rio.

A empresa também anunciou que o preço do gás natural subiria entre 15% e 25% nos próximos dois anos. Ainda em novembro, o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, disse que não era "aconselhável" que se fizessem novas conversões para uso de gás natural em veículos.

"O que a gente não quer é que se expanda. A gente pode ter uma política no sentido de pelo menos não expandir fortemente a questão do GNV (gás natural veicular). Nunca foi prioridade nosso o desenvolvimento da indústria de gás natural veicular", afirmou.

Diante da crise, no mesmo dia, a Petrobras anunciou a retomada de investimentos na Bolívia para a produção de gás. E, coincidência ou não, na semana seguinte ao início do corte do gás, o governo brasileiro anunciou a descoberta de uma megarreserva de petróleo na Bacia de Santos.

Problemas com a Bolívia
Mas não foi só devido ao aumento de consumo que o Brasil sofreu com falta de gás natural em 2007. A Bolívia, principal fornecedor do combustível para o País, enfrentou problemas políticos e técnicos e interrompeu parte do gás natural entregue para o Brasil em duas oportunidades este ano.

A primeira interrupção aconteceu em abril, quando, no dia 18, pelo menos mil pessoas sitiaram uma unidade de bombeamento da Transredes, filial da holandesa Shell na localidade de Yacuiba, sul da Bolívia. O Brasil foi prejudicado com corte de 1,2 milhão de metros cúbicos enviados por dia para a termelétrica de Governador Mário Covas, em Cuiabá.

São Paulo perdeu 600 mil metros cúbicos diários (de 24,6 milhões para 24 milhões) em razão do corte para British Gas, que abastece a Comgás, distribuidora de gás para o Estado.

Já no final de setembro, os bolivianos interromperam novamente o fornecimento de gás natural para a usina Governador Mário Covas devido a problemas no campo de Margarita. A termelétrica ficou sem operar, sendo que o fato fez com que o prefeito de Cuiabá, Wilson Santos, decretasse estado de emergência na cidade. A situação foi contornada com a compra de óleo diesel para movimentar a usina.

A perspectiva para o ano que vem é que a crise continue, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A agência pretende aumentar percentual mínimo do nível em reservatórios das hidrelétricas de 28% para 61%, para que as termelétricas sejam acionadas. Com isto, a freqüência de uso destas usinas pode ser maior - e a disponibilidade de gás natural para indústrias e postos, menor.

Redação Terra