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Aéreas tem queda em lucros; BRA paralisa operações

Reinaldo Marques/Terra O presidente da Gol, Constantino de Oliveira Jr., espera que a Varig lucre a partir do 3º trimestre de 2008 O presidente da Gol, Constantino de Oliveira Jr., espera que a Varig lucre a partir do 3º trimestre de 2008

No ano em que crise se tornou palavra comum na indústria da aeronáutica no Brasil, o consumidor foi o maior prejudicado - não pôde voar, enfrentou filas nos aeroportos e passou mais tempo esperando os vôos que efetivamente viajando. O reflexo de tudo isso teve impacto nas companhias aéreas que operam no País. Algumas empresas enfrentaram queda nos lucros e até paralisação das operações em 2007. Para 2008, muitos projetos - como desmilitarizar o controle de tráfego-, mas, até agora, nenhuma solução.

» BRA pára de voar e demite todos os funcionários
» Marco Antonio Bologna deixa a presidência da TAM
» Gol anuncia compra da Varig por US$ 320 milhões

Os problemas começaram em 2006, após a queda de um Boeing da Gol, e agravaram-se com o acidente deste ano da TAM no aeroporto de Congonhas. Já a BRA, em novembro, anunciou a paralisação de suas atividades e colocou todos os 1,1 mil funcionários em aviso prévio. Os cerca de 70 mil clientes da empresa que já possuíam passagens em mãos ficaram sem saber se conseguiriam viajar.

Em uma medida emergencial, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) determinou que as outras companhias aceitassem os passageiros em trânsito. A OceanAir fechou um acordo para transportar todos os 27 mil consumidores com pacotes turísticos da PNX Travel (agência da BRA). Os outros 43 mil passageiros continuaram sem vôo definido.

A BRA, aos poucos, retirou o aviso prévio de parte de seus trabalhadores para que pudesse continuar operando. Se conseguir um aporte financeiro para retomar as operações, a companhia pode cancelar mais demissões.

Queda nos lucros
Responsáveis por grande parte do transporte aéreo do Brasil, Gol e TAM tiveram, após graves acidentes aéreos, queda nos lucros. No terceiro trimestre, a TAM lucrou R$ 48,5 milhões, recuo de 77,2% na comparação com o resultado obtido um ano antes. O balanço foi atingido por aumento de custos e diminuição de receitas durante um trimestre marcado pela queda de uma aeronave da empresa no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação, amortização e leasing de aeronaves (Ebitdar, na sigla em inglês) foi de R$ 313,33 milhões, 45% abaixo dos R$ 568,55 milhões registrados no terceiro trimestre de 2006.

A crise na companhia aérea culminou com a saída, no dia 28 de novembro, de Marco Antonio Bologna da presidência da empresa. O executivo, que foi substituído pelo então vice-presidente de Operações, David Barioni Neto, vindo dos quadros da Gol, passou a integrar o conselho da holding TAM Empreendimentos e Participações S/A.

Já a Gol teve um lucro líquido de R$ 49,41 milhões no terceiro trimestre de 2007, queda de 78,7% em relação ao mesmo período de 2006. Em março, a companhia anunciou a compra da falida concorrente Varig por cerca de US$ 275 milhões. A empresa assumiu também R$ 100 milhões (cerca de US$ 45 milhões) em debêntures da Varig, o que elevou o valor da compra para aproximadamente US$ 320 milhões.

O presidente da empresa, Constantino de Oliveira Jr., espera que a Varig passe a dar lucro a partir do terceiro trimestre de 2008. Segunda maior companhia aérea do Brasil, atrás apenas da TAM, a Gol comprou a Nova Varig menos de um ano após a empresa ter sido adquirida em leilão pelo fundo de investimentos Matlin Patterson por US$ 24 milhões.

Oliveira afirmou que a companhia estava confiante de que expandiria os negócios, salientando que a Varig ainda é uma marca de valor no Brasil.

A Varig, que já teve o posto de maior companhia aérea da América Latina, foi reduzida, nos últimos anos, a uma sombra do que já foi devido à quantidade de dívidas e aos altos custos de leasing.

A empresa chegou a ter uma dívida de US$ 3 bilhões, mas em 2005 começou um doloroso processo de recuperação, com a dívida assumida por uma companhia separada, a chamada Velha Varig.

Ainda neste ano, a companhia aérea apresentou os novos uniformes e logomarca. A cor azul foi mantida, mas a estrela passou a ser laranja.

Apesar da política de baixo custo e da cor parecida com a da Gol, a Varig pretende manter um serviço mais sofisticado, com espaço entre as poltronas dos aviões, culinária brasileira e sala VIP nos aeroportos. "A maneira de gerir nossa empresa será com baixo custo, mas na questão com a concorrência, a Varig vai atingir um mercado diferente da Gol", destacou Constantino na época do anúncio da compra.

Ele anunciou a contratação de mais profissionais da antiga Varig para expandir as rotas da companhia, e o objetivo da empresa é atingir a meta de 14 destinos nacionais e 13 internacionais até o final de 2008.

Com este cenário, as festas de fim de ano e férias de janeiro são temidas. São esperadas filas nos aeroportos, atrasos, vôos cancelados e insatisfação dos passageiros - do mesmo jeito que começou 2007.

Redação Terra