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Reuters
Bush tenta sambar ao lado de dançarinas durante visita ao Centro Comunitário Meninos do Morumbi
O Brasil parou para receber duas importantes personalidades internacionais neste ano. Em março, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fez no País a primeira parada de uma ampla visita à América Latina, que também incluiu Uruguai, Colômbia, Guatemala e México. No mês de maio, foi a vez do papa o Bento XVI desembarcar em solo brasileiro. Nos cinco dias de visita, Joseph Ratzinger, sucessor de João Paulo II, passou pelas cidades de São Paulo, Guaratinguetá e Aparecida, onde realizou uma missa campal para 150 mil pessoas.
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Sob forte esquema de segurança que mobilizou as Forças Armadas, a Polícia Federal e as polícias militar, civil e rodoviária brasileiras, George W. Bush, desembarcou no País no dia 8 de março para uma visita de pouco menos de 24 horas. A presença de Bush fez com que estourassem protestos em várias capitais do País. Manifestantes e curiosos fizeram vigília constante em frente ao hotel em que ficou hospedado. A polícia agiu com firmeza contra qualquer um que ameaçasse perturbar a ordem no local.
Já o Papa mostrou-se menos preocupado com a sua segurança. Por várias vezes, quebrou o protocolo da viagem para atender aos apelos de milhares de fiéis que se concentravam em frente ao Mosteiro de São Bento, onde ficou hospedado, e abençoou a multidão. Tornou freqüentes as aparições na sacada do mosteiro, inclusive tarde da noite. Nas ruas de São Paulo e de Aparecida, baixou o vidro blindado do papamóvel para acenar para as pessoas nas ruas e foi abraçado pelos fiéis na Fazenda da Esperança, onde visitou pessoas que se recuperam da dependência de drogas.
A visita do papa Bento XVI teve como objetivos a canonização do primeiro santo brasileiro, Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, o frei Galvão, e a abertura da 5ª Conferência Geral dos Bispos da América Latina e Caribe. Frei Galvão foi canonizado em uma grande missa no aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, no terceiro dia da visita. Vários milagres foram atribuídos ao sacerdote em vida, relacionados com a cura de grávidas e pessoas com problemas renais.
Bush veio ao Brasil com o objetivo principal a assinatura de acordos de cooperação no setor de biocombustíveis. O convênio assinado pelo presidente americano e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu que os dois países passarão trabalhar na padronização internacional de biocombustíveis - especialmente o álcool. Para Lula, "o Brasil deu um passo extraordinário" para poder ocupar um espaço importante no mercado internacional. Ele disse, porém, que o Brasil continuará brigando pela redução de tarifas no setor.
A presença do presidente americano tumultuou a maior cidade do País. Já acostumada aos enormes congestionamentos, São Paulo parou para a passagem da comitiva de Bush em seus deslocamentos do Aeroporto Internacional de Guarulhos até o Hotel Hilton. Várias ruas no entorno do hotel foram bloqueadas e o roteiro da comitiva só foi conhecido pouco antes da passagem do presidente americano.
O Papa conseguiu demonstrar, em sua visita, a postura rígida que o acompanha em relação aos temas defendidos pela Igreja Católica . A posição do Papa sobre o aborto, por exemplo, foi bem vista pelos cerca de 35 mil jovens que participaram de um encontro no estádio do Pacaembu, em São Paulo, no dia 10 de maio. Eles gritaram por quatro vezes: "sim à vida, não ao aborto!". "Santo Padre, conte conosco, também somos a favor da vida!".
Bento XVI, no entanto, deixou o País sem conseguiu reunir no Brasil as multidões que se esperava. Na celebração com os jovens, apenas 40 mil pessoas compareceram, quando o esperado era 70 mil. No último encontro do Pontífice com os brasileiros, na missa celebrada no Santuário Nacional da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, estiveram presentes 150 mil fiéis, menos de um terço que o meio milhão de pessoas esperadas pelos organizadores.
Redação Terra