NotíciasRetrospectiva 2007Brasil

 

Brasil

Brasil fica pela 1ª vez entre países de alto IDH

Agência Brasil O presidente Lula discursa durante a divulgação do relatório do Índice de Desenvolvimento Humano O presidente Lula discursa durante a divulgação do relatório do Índice de Desenvolvimento Humano

O Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) 2007/2008, divulgado em novembro em Brasília pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), apontou pela primeira vez em sua história o Brasil entre os países classificados na categoria Alto Desenvolvimento Humano. Entretanto, o País ainda continua distante do patamar de outras nações em desenvolvimento, como Argentina, Chile, Uruguai, Costa Rica, Cuba e México.

» Veja o ranking de países

Os números do relatório se referem a dados consolidados de 2005. Em uma variação de 0 a 1, o Brasil alcançou 0,800 no relatório, índice considerado o marco para se falar em alto desenvolvimento humano (o índice da Islândia, país que lidera o ranking, é de 0,968). A melhora foi puxada por crescimentos específicos detectados a partir da revisão de métodos de cálculo. Em termos reais, a expectativa de vida passou de 71,5 anos, em 2004, para 71,7, em 2005. A renda per capita experimentou acréscimo de US$ 77, saltando de US$ 8.325 mil para US$ 8.402 mil. Um destaque positivo do Brasil, segundo o documento, é a taxa de matrícula escolar (87,5% das pessoas com até 22 anos) situar-se entre as 36 mais altas do mundo.

A despeito dos avanços, no ranking geral de desenvolvimento humano o Brasil caiu do 69° para o 70° lugar. Ultrapassou a ilha caribenha de Dominica, e foi superado por Arábia Saudita e Albânia, que apresentaram avanços mais significativos em educação e expectativa de vida, respectivamente.

Os cálculos para definição do IDH, no entanto, sofreram críticas pois foram feitos com base no "PIB velho" do País e não levaram em conta a mudança de metodologia do IBGE, promovida em março deste ano, que revelou um País mais rico - ou menos pobre - do que se imaginava. Segundo uma revisão proposta por Terra Magazine, levando em conta o novo PIB, na pior das hipóteses, o índice subiria para 0,802. Na melhor delas, salta para 0,808 e coloca o Brasil na posição de 64º melhor lugar do mundo para se viver.

O Pnud reconhece que o IDH do Brasil está subestimado. Segundo o assessor especial do Pnud, Flávio Comim, não seria possível abrir uma exceção e atualizar apenas os dados do Brasil, ou isso afetaria a comparabilidade de seu IDH com o de outros países. "É melhor estar vagamente correto do que precisamente errado", afirmou.

Na prática, os avanços educacionais de 2005 e o novo patamar da renda per cápita dos brasileiros só se refletirão no próximo relatório do IDH, que será publicado no final do ano que vem.



Redação Terra