> Notícias > Retrospectiva 2007 > Brasil
Rodrigo Coca/Futura Press
Caminhões foram ''engolidos'' pela cratera na obra da estação Pinheiros
Um forte estrondo e em poucos segundos uma cratera de 30 metros de profundidade e 80 metros de diâmetro foi aberta em pleno bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O desabamento no canteiro de obras da Linha 4 do Metrô, na tarde de 12 de janeiro, provocou a morte de sete pessoas e interditou 94 imóveis na região. A cratera engoliu carros, caminhões e parte de uma rua, além do próprio canteiro de obras.
A busca pelas pessoas soterradas na cratera durou duas semanas. Inicialmente, acreditava-se que não havia vítimas, mas relatos de testemunhas foram reconstruindo os últimos passos de sete pessoas que desapareceram na região. Destas, quatro estavam em uma van que passava pela rua Capri, uma das mais destruídas pela tragédia: o motorista Reinaldo Aparecido Leite, 40 anos; o cobrador Wescley Adriano da Silva, 22 anos; a advogada Valéria Alves Marmit, 37 anos; e o funcionário público Márcio Rodrigues Alambert, 31 anos.
As outras duas vítimas foram a aposentada Abigail Rossi de Azevedo, 74 anos, e o contínuo Cícero Agostinho da Silva, 58 anos, a sétima vítima a ser encontrada. A esperança por achar sobreviventes terminou quando o corpo de Cícero foi localizado entre os escombros, 12 dias após o desabamento. Ele foi visto na região de Pinheiros por volta das 15h, pouco antes do acidente acontecer, mas, até o corpo ser encontrado, a polícia não confirmava que ele estivesse entre as vítimas.
Menos de um mês depois da tragédia, nasceu o filho do cobrador Wescley Ferreira da Silva, morto no desabamento. A mulher dele, Thaís Ferreira Gomes, 20 anos, que estava grávida quando houve a tragédia, deu à luz um menino no dia 22 de fevereiro. O parto ocorreu no hospital Sepaco, no bairro Vila Mariana, na zona sul da capital paulista. O bebê nasceu saudável com 48 cm e pesando 2,97 kg.
Em razão do desabamento, a Marginal Pinheiros, uma das principais vias da capital paulista, ficou interditada por vários dias. O risco era de a pista ser atingida por uma grua de 120 toneladas, usada na obra e que ameaçava desabar. O equipamento foi retirado 11 dias após o acidente.
O Consórcio Via Amarela, responsável pelas obras negou que tivessem sido utilizados materiais "mais baratos" na construção do túnel e da estação Pinheiros. Na manhã de 30 de janeiro, o gerente de obras da Linha 4 do Metrô, Marco Antônio Buoncampagno, pediu afastamento ao presidente da companhia, Luiz Carlos David.
Todas as 23 frentes de trabalho das obras do Metrô, que foram interditadas logo após o desabamento, já haviam sido liberadas até 8 de maio, após laudos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). As investigações sobre o acidente, que envolvem o IPT e o Instituto de Criminalística, da Polícia Civil, devem ser concluídas somente em fevereiro de 2008, seis meses após o prazo inicial previsto.
Mais problemas
Um mês após o acidente, foram divulgados laudos que apontaram falhas nas obras da futura estação Fradique Coutinho também da Linha 4-Amarela. O relatório, feito pelo técnico em soldagem Nelson Damásio, contratado pelo consórcio, destacou pelo menos 15 problemas nas soldas da estrutura metálica que sustenta as obras da estação. No laudo, o técnico atestou que a estrutura estava comprometida e disse ter recebido um pedido para redigir novamente o documento e "suavizá-lo". Damásio disse que negou o pedido e manteve o relatório.