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Cuba completa um ano sem Fidel no comando

Reprodução A última foto divulgada: Fidel Castro se encontra com presidente angolano A última foto divulgada: Fidel Castro se encontra com presidente angolano

Em 2007, Cuba completou um ano sem a presença ativa de Fidel Castro no governo. Afastado desde 31 de julho de 2006 por problemas de saúde, ele não foi visto mais em público ou se pronunciou ao povo cubano, com exceção de vídeos, áudios e fotos, além das dezenas de textos publicados regularmente no jornal oficial Granma com comentários do "Comandante" sobre os fatos mais importantes do ano.

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Com a liderança do irmão Raúl Castro, general e ministro das Forças Armadas Revolucionárias, Cuba, entretanto, não sofreu grandes modificações na economia e política. Raúl manteve a mão firme de Fidel e garantiu repetidas vezes que o irmão, da sua convalescença, acompanha tudo que ocorre em Cuba. O ano de ausência serviu para reforçar seu papel de sucessor de Fidel. Raúl ganhou ainda simpatia da população ao se deixar mostrar emocionado, com as mãos tremendo, em funeral de sua mulher, a guerrilheira Vilma Castro Espín, em junho.

A transmissão do enterro levou aos lares da ilha uma imagem inusitada do líder. Os cubanos se emocionaram ao assistir à cerimônia pela TV. Três dias depois, a Cubavisión reprisou as imagens.

Fidel, entretanto, não saiu do imaginário da população cubana e da imprensa mundial. De Havana, ele comentou e vibrou com a participação cubana nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. O líder convalescente foi obrigado a comentar a fuga dos boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, que abandonaram a delegação nos Jogos. Para Fidel, eles foram tentados financeiramente por empresários alemães e levados a uma praia do Rio acompanhados por três prostitutas. Ao final, os dois atletas voltaram à Cuba, sob suspensão.

Na série de artigos publicados no jornal oficial Granma, Fidel não poupou críticas e o biocombustível, bandeira do presidente Lula no exterior, foi alvo. Em artigo no final de março, ele elogiou a tecnologia brasileira e acusou os Estados Unidos de "condenar à morte prematura" por fome e sede a mais de 3 bilhões de pessoas, por seus planos de usar alimentos como o milho ou o trigo para produzir biocombustíveis. "A idéia sinistra de converter os alimentos em combustível ficou definitivamente estabelecida como linha econômica da política externa dos Estados Unidos", disse o texto.

Menos de uma semana depois, ele voltou a atacar a política de combustíveis, dessa vez criticando o encontro entre Bush e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Camp David, nos dias 30 e 31 de março. O líder cubano afirma que "ninguém em Camp David" explicou de onde sairá o milho e outros cereais necessários para saciar a demanda de etanol dos EUA".

Em contrapartida, em setembro, em meio aos boatos sobre a piora de sua saúde, Bush afirmou que o regime de Fidel estava chegando ao fim durante Assembléia Geral da ONU, em Nova York. "O regime de um ditador cruel se aproxima do seu fim em Cuba", disse o presidente americano, George W. Bush, que pediu à ONU ajuda para impulsionar uma transição para a democracia na ilha.

Segundo Bush, "o povo cubano está preparado para a liberdade e sua nação entra em um período de transição. A ONU deve insistir na liberdade de expressão, na liberdade de reunião e em última instância, em eleições livres e competitivas em Cuba". O comentário fez com que a delegação cubana abandonasse o plenário e recebeu uma resposta nos textos de Fidel no Granma.

Fidel e Chávez
Fidel, afastado do poder, reafirmou sua aliança com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, em seus artigos, em algumas participações no programa chavista Alô Presidente? e nos encontros noticiados oficialmente.

Em outubro, Fidel falou ao vivo no programa dominical de Chávez pela primeira vez desde julho do ano passado. "Você me disse que não sabia se voltaria a me ver, agora me diz viva Fidel", disse, entre risadas, ao iniciar sua participação.

Fidel apoiou, com seu artigo no Granma, o colega venezuelano no incidente com o rei espanhol Juan Carlos, que pediu que Chávez se calasse durante sessão da XVII Cúpula Ibero-americana quando este tentou interromper o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, durante um debate. "Naquele momento, todos os corações da América Latina vibraram. O povo venezuelano comoveu-se ao viver de novo os dias gloriosos de Bolívar (o herói da independência Simón Bolívar)", escreveu Fidel.

Em um dos seus últimos textos, ele ainda alertou para o risco de um atentado contra o presidente venezuelano e denuncia que a Venezuela enfrenta hoje a "tirania mundial" dos Estados Unidos. Fidel lembrou que, durante a última visita de Chávez a Cuba, conversou com ele "muito seriamente" sobre os riscos de assassinato aos quais o líder venezuelano está se expondo ao circular em veículos abertos.



Redação Terra