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AP
Populares e bombeiros tentam conter fogo que atingiu prédio depois do terremoto, em Lima
O Peru foi atingido em 16 de agosto por um dos mais fortes terremotos registrados no mundo desde 1990. O tremor de 8 graus na escala Richter, com epicentro no mar, a 160 km ao sul de Lima, causou a morte de mais de 500 pessoas, além de 1,3 mil feridos e mais de 71 mil famílias desabrigadas. O tremor foi o pior a atingir o país desde 1970, quando 70 mil pessoas morreram no norte.
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Logo após o sismo, o Centro de Alerta de Tsunamis dos EUA emitiu uma advertência de tsunami para 11 países latino-americanos sobre a costa do Pacífico, que foi cancelada horas depois. O Centro advertiu as autoridades de Peru, Chile, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Guatemala, El Salvador, México e Honduras. Em alguns países foram adotadas medidas de retirada no litoral. Segundo os especialistas do Centro, um tsunami foi gerado em frente à costa norte do Chile, mas não chegou ao continente.
A capital Lima, que foi afetada por um terremoto em 1974, também sofreu conseqüências, tendo o serviço telefônico interrompido e um demorado apagão, além de um enorme engarrafamento desencadeado por motoristas desesperados para chegar em casa. O longo tremor quebrou vidraças e derrubou rebocos de prédios, o que causou pânico na populosa cidade. No total, morreram 19 pessoas em Lima.
As cidades mais ao sul da costa, como Pisco, a 240 km de Lima, foram as mais afetadas. Cerca de 80% das casas de Pisco foram destruídas no tremor, obrigando grande parte da população a se mudar para barracas instaladas nas ruas e albergues. Voluntários e organizações de ajuda se dirigiram à cidade para prestar ajuda médica e levar alimentos.
Na igreja San Clemente, a estrutura desabou completamente matando mais de 70 pessoas que estavam assistindo a uma missa fúnebre. O padre Luis Miroquesada conseguiu se salvar ao se esconder sob uma mesa. Quando saiu de seu abrigo, depois que os tremores passaram, uma densa nuvem de poeira úmida era tudo o que restava da capela principal de San Clemente. Equipes de resgate retiraram dos escombros uma pessoa com vida 24 horas depois do tremor. A 7 km de Pisco, a igreja de San Francisco de Pisco Playa também desabou, matando seis integrantes de uma mesma família.
Outra cidade muito afetada foi Ica, onde 40% das construções foram destruídas. Segundo levantamento do Instituto Nacional de Cultura peruano (INC), o Peru perdeu 32% do patrimônio histórico de sua costa central como conseqüência do terremoto.
Além da destruição e vítimas, os moradores da região afetada passaram muitas noites ao relento temendo novos tremores, já que réplicas podem acontecem ao redor do epicentro nas horas e dias seguintes. No total, nos 15 dias depois do primeiro tremor, 3 mil réplicas foram sentidas, sendo que 10% foram percebidas nas cidades de Ica, Pisco, Chincha e Cañete, as mais afetadas.
Fuga de presídios
Mais de 600 presos fugiram de uma prisão da cidade de Chincha após a destruição das paredes do local com o terremoto. A Polícia Nacional peruana enviou reforços de Lima e da cidade de Arequipa, no extremoo sul, para ajudar a polícia em Chinca.
O sismo também destruiu parcialmente a Penitenciária de Ica.
Terremoto atinge Chile
No final do ano, em 14 de novembro, um forte terremoto atingiu o norte do Chile, na fronteira do Peru, até Valparaíso e Santiago, onde prédios altos tremeram. O tremor de magnitude 7,7 alcançou uma faixa do território chileno de 2 mil km e deixou dois mortos e 140 feridos.
O terremoto fez prédios tremerem em Santiago, 1,4 mil km ao sul do epicentro, e foi sentido também na Bolívia, no Peru e até em andares altos de alguns bairros de São Paulo. O impacto chegou a ser sentido na Bolívia, Peru e até em São Paulo, onde a Defesa Civil recebeu chamados, especialmente de pessoas que estavam em andares altos. Algumas abandonaram os prédios temendo desabamentos, mas se tratou apenas de um reflexo do terremoto no Chile.
Na cidade chilena de Antofagasta, as TVs mostraram carros esmagados sob a marquise de concreto de um hotel que caiu. Assustados, os moradores foram para o meio das ruas. O Serviço Geológico dos EUA disse que o foco do terremoto aconteceu a 60 km de profundidade, 106 km a oeste da cidade de Calama.
No dia seguinte, fortes réplicas surpreenderam a presidente do Chile, Michele Bachelet, durante visita à cidade de Tocopilla, uma das mais afetadas. O terremoto trouxe também conseqüências negativas para a indústria do cobre concentrada no norte do Chile.