> Notícias > Retrospectiva 2007 > Mundo
AP
Militante do Hamas queima foto de Abbas, líder do Fatah
O governo de unidade nacional que colocou os movimentos palestinos Hamas e Fatah lado a lado em março de 2007 não sobreviveu mais que quatro meses e foi dissolvido após os violentos confrontos na Faixa de Gaza entre os militantes das duas organizações. O conflito entre as facções rivais se agravou desde o Hamas derrotou a Fatah nas eleições de janeiro de 2006, mas o governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), dividido entre o presidente Mahmoud Abbas, líder do Fatah, e o premier Ismail Haniyeh, líder do Hamas, não resistiu à guerra armada que matou mais de 50 em três dias. No total, foram 116 mortos e 550 feridos, de acordo com a Cruz Vermelha Internacional.
» Hamas assume controle de Faixa de Gaza
» Confrontos em homenagem a Arafat matam sete
» As melhores fotos do ano
No dia 15 de junho, o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza após derrotar as forças do Fatah em sangrentos combates que deixaram o presidente palestino confinado na Cisjordânia. Todas as sedes institucionais da ANP foram tomadas e até a casa do ex-presidente palestino Yasser Arafat, histórico líder dos nacionalistas do Fatah morto em novembro de 2004, foi saqueada por militantes do Hamas. A tomada do Hamas, considerado uma organização terrorista por Israel, EUA e União Européia, deixou cerca de 1,5 milhão de palestinos isolados.
A situação gerou preocupação na comunidade internacional e o Quarteto internacional para o Oriente Médio (EUA, UE, Rússia e ONU) manifestou seu "pleno apoio" a Abbas. A presidência alemã da UE "condenou com a máxima severidade a tomada violenta do poder pelas milícias ilegais do Hamas".
Abbas destituiu o governo de unidade nacional, afastando o premier Ismail Haniyeh, declarou estado de exceção nos territórios palestinos, constituiu um novo Executivo de emergência e ilegalizou o Hamas e suas milícias.
Com a tomada do Hamas, Israel realizou grande ofensiva na Faixa de Gaza. Em apenas uma manhã, no dia 27 de junho, foram 13 mortos - entre eles uma criança - e mais de 40 feridos. Por outro lado, a separação do Hamas do governo oficial da ANP fez com que Abbas ganhasse apoio do governo israelense e da comunidade internacional, incluindo os países árabes.
Israel permitiu que fundos retidos, no valor de US$ 600 milhões de dólares, fossem transferidos aos palestinos. O governo israelense congelou estes fundos após a vitória do Hamas nas eleições legislativas, sanção somada à suspensão da ajuda direta ao governo palestino, decretada pela UE e pelos Estados Unidos.O presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, se encontraram em cúpula de Sharm el-Sheikh, no Egito, pela primeira vez desde abril. Na ocasião, Israel anunciou a libertação de 250 prisioneiros do Fatah, gesto classificado de manobra política pelo Hamas.
Em novembro, em encontro mediado e criado pelo presidente americano, Olmert e Abbas apertaram as mãos e se comprometeram a iniciar processo de negociação para um tratado de paz até o fim de 2008. Em Annapolis, compareceram representantes de mais de 40 países e organizações internacionais, contando com apoio da comunidade árabes, mas o Hamas esteve ausente.
Ato sangrento para Arafat
A tensão entre Fatah e Hamas voltou a causar mortes em novembro deste ano quando sete palestinos morreram e mais de 100 pessoas ficaram feridas em confrontos entre simpatizantes de Mahmoud Abbas e efetivos da polícia vinculados ao Hamas, em um grande ato na Faixa de Gaza
para recordar o terceiro aniversário da morte de Yasser Arafat, na maior manifestação organizada pelo partido Fatah desde que o Hamas tomou à força o controle da região.