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Anorexia mostra o lado sombrio do mundo da moda
 
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Ana Carolina: morta aos 21 anos com 40 quilos
Ana Carolina: morta aos 21 anos com 40 quilos
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Uma busca até patológica pela perfeição estética teve um final trágico para a modelo Ana Carolina Reston Macan. Aos 21 anos, ela morreu vítima de anorexia nervosa, depois que seu quadro se agravou e evoluiu para uma infecção generalizada. A modelo pesava cerca de 40 quilos e tinha 1,74 m de altura. Internada desde 25 de outubro com insuficiência renal, ela morreu no dia 14 de novembro.

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Dois dias depois, outra jovem de 21 anos morreria vítima de complicações desencadeadas pela anorexia nervosa e bulimia em Araraquara, interior de São Paulo. Carla Sobrado Cassali tentava tratar a doença há 5 anos, mas, segundo os familiares, ela não admitia estar doente. "Carla relutava muito em seguir o tratamento médico e principalmente o acompanhamento psicológico", disse um tio que preferiu não se identificar.

A tragédia das famílias Reston e Cassali reascendeu o debate sobre os padrões de beleza no mundo da moda. Na Europa, a discussão já havia sido retomada após a Espanha ter decidido colocar um limite à magreza das modelos que participam de desfiles. A Itália, uma das principais capitais da moda, deve seguir a mesma linha.

"A morte das duas moças brasileiras teve grande influência na decisão de criar um código de regulamentação para o setor da moda", reconhece a porta voz do Ministério para a Política Juvenil da Itália, Lucia Uriuoli, falando à BBC Brasil. "Poucos dias depois, chegou a notícia do Brasil e isto reacendeu o debate, porque a taxa de mortalidade por anorexia entre moças normais está aumentando."

Segundo a porta-voz do ministério, houve contato com diversos estilistas, como Armani, Dolce & Gabbana, Laura Buiagiotti e Versace. Todos teriam dado uma avaliação positiva sobre a iniciativa de estabelecer o controle do índice de massa corporal (IMC) para as modelos que participam de desfiles, como ocorre na Espanha.

Medidas extremas
As mortes causadas pela anorexia podem mudar para sempre a cara das passarelas no mundo, e consequentemente no Brasil.

A principal mudança anunciada pela organização da São Paulo Fashion Week (maior evento de moda do País) para o próximo ano é drástica: meninas com menos de 16 anos não poderão mais desfilar, conforme decisão do organizador da semana de moda, Paulo Borgesem, em conjunto com as agências. A medida faz parte de um "pacote de mudanças" tomadas após a morte das modelos.

De outro lado, as agências brasileiras passarão a exigir um atestado médico antes de efetivarem a contratação de jovens que sonham em subir nas passarelas. Segundo Eli Hadid, responsável da agência Mega, a decisão de pedir um atestado médico para as candidatas a modelo "é uma prova da boa vontade das agências para solucionar um problema social grave".

Além da Mega, que conta com top models como Ana Hickmann e Isabeli Fontana, a decisão também contou com o apoio de agências como Elite, Marilyn, Ford, MM e L'Equipe.

As agências combinaram que, além de exigirem o atestado médico e exames de sangue para garantir o bom estado de saúde das modelos, rejeitarão as jovens que passam por regimes agressivos e exigirão que usem ao menos o tamanho 38.
 
Redação Terra

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