| Reprodução/Agência Estado |
 Origem de dinheiro que serviria para comprar dossiê ainda é desconhecida |
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Era quase uma centena de deputados e senadores envolvidos na compra superfaturada de ambulâncias. A investigação da máfia das sanguessugas parecia encaminhada quando em 14 de setembro, Paulo Roberto Trevisan é preso no aeroporto de Cuiabá com um dossiê que pretendia comprometer a campanha do então candidato ao governo de São Paulo, José Serra (PSDB).
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A partir daquele dia, a campanha eleitoral mudaria de clima, e novos atores seriam introduzidos ao cotidiano brasileiro. Trevisan, tio do empresário Luiz Antônio Vedoin, tentava embarcar para São Paulo com fotos, vídeos e textos que formavam um dossiê fabricado pelos Vedoin - donos da empresa acusada de vender à União ambulâncias acima do preço.
No ano passado, devido a uma denúncia da ex-assessora do Ministério da Saúde, Maria da Penha Lino, foi desvendado um esquema de compra superfaturada de ambulâncias com dinheiro público. Deputados e senadores aprovavam emendas para que secretarias de Saúde em centenas de municípios do Brasil adquirissem os veículos.
Essas ambulâncias eram compradas diretamente da Planam, uma empresa de Cuiabá (MT) que pertencia à família Vedoin. Os Vedoin superfaturavam os custos das ambulâncias e dividiam os "lucros" com parlamentares e prefeituras.
Depois que foram pegos, Darci e Luiz Antônio Vedoin (pai e filho) deram diversos depoimentos contraditórios à Polícia Federal. Após vários meses entre a cadeia e a prisão domiciliar, Luiz Antônio foi preso novamente acusado de fazer de seu tio, Paulo Roberto Trevisan, uma espécie de pombo-correio de um dossiê que traria provas da participação de José Serra na máfia das sanguessugas.
De acordo com o superintendente geral da Polícia Federal em Mato Grosso, delegado Geraldo Pereira, no dossiê, Trevisan tinha imagens que mostravam uma solenidade de entrega de 40 ambulâncias para municípios do interior do Estado.
No vídeo, aparecem o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra (PSDB-SP), os deputados Lino Rossi (PP-MT) e Pedro Henry (PP-MT), o ex-governador Dante de Oliveira e o candidato ao governo de Mato Grosso Antero Paes de Barros (PSDB-MT). O então candidato à presidência Geraldo Alckmin (PSDB-SP) também aparece nas fotos do dossiê.
Ligações perigosas
Tecnicamente, o fato de os Vedoin venderem o dossiê não consistiria em crime. Isso em tese, caso o comprador apontado pela Polícia Federal não fosse o Partido dos Trabalhadores, concorrente direto de Serra nas eleições para o Estado de São Paulo.
Um dia depois de ter pego Trevisan em Mato Grosso, a polícia prendeu em um hotel de São Paulo Valdebran Padilha e Gedimar Passos, ambos ligados ao PT. Segundo a PF, os dois carregavam cerca de R$ 1,7 milhão (em dólares e reais) que seriam usados para a compra do dossiê.
Muitas versões e explicações foram dadas, mas até agora, ninguém soube esclarecer de onde saiu o dinheiro que seria usado para a compra das informações.
O caso dossiê não envolveu somente articuladores de terceiro escalão do PT. Boatos davam conta de que o então presidente do partido, Ricardo Berzoini, sabia das negociações. Poucos dias depois de divulgadas as prisões, sob pressão da oposição e da própria base aliada, Berzoini foi obrigado a renunciar do cargo e afastar-se da coordenação de campanha de Lula.
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