| Niels Andreas/Agência Estado |
 Sem projeto: Clodovil Hernandez promete chegar a Brasília 'chiquérrimo' |
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Na maior eleição brasileira de todos os tempos, cerca de 105 milhões de eleitores ajudaram a escolher 1.627 cargos eletivos, entre deputados federais, estaduais, senadores, governadores e o presidente da República. Com poucos incidentes e debates mornos nas eleições majoritárias, alguns candidatos ao Legislativo chamaram atenção.
O desfile de excentricidades no rádio e na TV ajudou a dissipar o mito de que horário eleitoral é um programa chato. Durante dias, candidatos pouco ortodoxos dividiram o palanque eletrônico com os mais tradicionais políticos da cena nacional. Alguns deles protagonizaram verdadeiros espetáculos.
Clodovil chegou lá
O estilista Clodovil Hernandez (PTC-SP), deputado federal eleito com cerca de 493 mil votos, já virou notícia antes mesmo de tomar posse. "Brasília nunca mais será a mesma", dizia na propaganda eleitoral. Em entrevista concedida após a eleição, Clodovil falou como será sua posse. "Evidentemente eu vou chegar a Brasília chiquérrimo, porque eu sou mesmo".
Quando questionado sobre suas propostas no Legislativo, o candidato não respondeu e lançou mais uma: "Eu não sei, não sei nem se tem política neste País", afirmou. Clodovil foi o rei das pérolas. "Não é mais 24, agora é 11; É 1 atrás do outro", declarou em referência ao numeral equivalente do veado no jogo do bixo e o código de seu partido.
Vai um sanduíche-iche?
A nutricionista Ruth Lemos tentou aproveitar a fama obtida após uma entrevista hilária para a TV e se candidatou a deputada estadual pelo PPS em Pernambuco. Na entrevista, por uma falha no retorno, Ruth alega que ouvia sua própria voz com atraso, o que fez com que ela passasse a entrevista inteira repetindo o final das palavras.
Ela ficou conhecida nacionalmente como a mulher do "sanduíche-iche". Os 1.160 não foram suficientes para que Ruth levasse uma cadeira na Câmara. O fracasso da campanha, avalia, foi culpa do sanduíche...íche.
Inspirado no filme Zorro, quando o personagem grita "aiô Silver" para seu cavalo, o comerciante e candidato a deputado federal Flavius Coait (PSC-SP), adaptou o chamado para a abertura de seu programa eleitoral. "aiô Flavius", gritava. Coat obteve 1.353 e não foi eleito.
Com 101 anos completados no dia 1º de agosto, a comerciante de Feira de Santana, interior da Bahia, Deodata Pereira Borges, a "Mamãe" foi a segunda candidata mais velha do País, concorrendo a uma vaga de deputada federal.
Com dois filhos e quatro netos, a candidata tinha como plataforma lutar pelo imposto zero para os remédios. "Jovens e abaixo dos cem anos, vamos acabar com os impostos antes que eles acabem com a gente", defendia. Apesar dos signifcativos 13.415 votos, "Mamãe" não se elegeu.
Vitória da beleza
Se a excentricidade foi uma das marcas das eleições deste ano, a beleza também teve sua vez. Acostumado com políticos mais velhos e experientes, o eleitorado se surpreendeu ao ver belos jovens fazendo campanha em busca de votos.
Famoso por suas mulheres bonitas, o Rio Grande do Sul brilhou na tela e nas urnas. Além de ser considerada a musa da eleição, Manuela d'Ávila (PCdoB), 25 anos, foi a deputada federal mais votada do Estado. Seus 271.939 votos foram suficientes para dar vantagem de 66 mil a mais do que o segundo colocado, Luis Carlos Heinze (PP). Apesar disso, Manuela nega a influência estética em sua marca histórica. "Não foi a beleza que me elegeu", garante.
No outro extremo do País, a boa imagem também parece ter dado resultados. Robinson Faria e seu filho, Fábio Faria, foram eleitos deputado federal e estadual, respectivamente, com votação recorde no Rio Grande do Norte. O belo Fábio, 29 anos, chegou ao final da campanha cotado para ser um dos três mais votados do Estado.
Confirmou o favoritismo conquistando o primeiro lugar com 12,02% dos votos válidos. Mas ele também desconversa. "Consegui grande parte dos votos graças à credibilidade do meu pai", garante.
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