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Ações do PCC provocam medo e caos e param SP
 
Reuters
Fogo: ataques a coletivos fez empresas recolherem frotas
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Ônibus incendiados, policiais mortos em plena luz do dia e atentados contra agentes de segurança penitenciária foram os instrumentos usados pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em uma série de ataques que paralisou a maior cidade do País. O motivo foi uma série de transferências de presos que começou na noite de sexta, 12 de maio, só parou três dias depois.

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Ao todo, foram registrados 64 ataques contra bases da polícia, delegacias, agentes penitenciários, policiais, oficiais da Guarda Civil Metropolitana, ônibus e agências bancárias. As mortes chegaram a 32 na capital paulista, cidades do litoral e região metropolitana em um só dia.

São Paulo, a cidade que vangloriava-se de nunca descansar, ficou deserta em plena segunda-feira. Às 18h, a avenida 23 de Maio, uma das mais movimentadas da cidade, e que integra o corredor norte-sul, não registrou nenhum quilômetro de congestionamento, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Apesar do pânico, as ações do PCC não eram novidade para os paulistanos. Em 18 de fevereiro de 2001, a facção coordenou 29 rebeliões simultâneas em São Paulo com saldo de 30 mortes - a grande maioria alvo de disputas entre gangues rivais nas prisões.

Em novembro de 2003, por mais de uma semana, o grupo foi responsável pelo ataque contra dezenas de delegacias com metralhadoras, bombas caseiras, escopetas e pistolas. No total, três agentes policiais foram mortos e 12 feridos.

A noite de 12 de maio só acabaria uma semana depois, com números dignos das piores guerras. Foram 239 ataques e 152 mortos - 107 suspeitos, 23 policiais militares, sete policiais civis, três guardas municipais, oito agentes penitenciários e quatro cidadãos - além de 54 feridos, segundo balanço oficial da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo publicado no dia 18.

Entre os ataques, 82 foram a ônibus, 56 a residências de policiais, 17 a bancos e caixas eletrônicos, um a garagem de ônibus, um a estação de Metrô, um à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), e outras 135 agressões diversas. Ainda conforme os números oficiais, foram apreendidas 146 armas.

Nova onda
O terror que tomou conta de São Paulo em maio daria as caras novamente dois meses depois. Os ataques que tiveram início na terça-feira, 11 de julho, foram menos intensos, mas não menos violentos. Com medo de terem novos carros incendiados, as empresas operam as linhas de ônibus da capital reduziram para 15% a frota em operação.

Enquanto a população se sentia refém da violência, uma disputa política era travada entre o governador Cláudio Lembo e o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. O governo federal insistia em enviar tropas federais para ajudar a conter a onda de viôlência em São Paulo. Em ano eleitoral, Lembo resisitiu à idéia e só cedeu em agosto quando Lula e Bastos fizeram nova proposta de integração de tropas.
 

Redação Terra

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